“Se você escolher a cidade como local de residência, você deve estar preparado para escutar a bela música das buzinas e a respirar um ar saudável, enriquecido de fumaça de todas as espécies. Por outro lado, viver no campo é benéfico porque isso permite que você se aproxime da natureza, que escute os belos cantos dos pássaros, sem contar a solidariedade dos vizinhos em caso de aborrecimento ou doença.” Sobre esse segmento textual, é correto afirmar que:
- A)a tese defendida no texto é a de que a vida no campo e na cidade apresentam diferentes vantagens;
Errada, porque o texto não defende uma convivência equilibrada entre cidade e campo, e sim cria um contraste crítico entre os dois.
- B)o conector “Por outro lado”, empregado entre os dois principais segmentos do texto, indica semelhança entre a vida na cidade e a vida no campo;
Errada, porque “Por outro lado” marca oposição, e não semelhança, entre os dois segmentos.
- C)o processo utilizado pelo argumentador na desvalorização da vida na cidade é a ironia;
Certa, porque a desvalorização da vida na cidade ocorre por ironia, com elogios aparentes que na verdade criticam o ambiente urbano.
- D)os argumentos utilizados na defesa da tese pelo argumentador se apoiam em valores humanos, sociais e econômicos;
Errada, porque o texto não desenvolve argumentos econômicos ou sociais de modo técnico, mas usa contraste e ironia para convencer.
- E)o argumentador apresenta de forma imparcial as vantagens e desvantagens de viver-se no campo e na cidade.
Errada, porque o texto não é imparcial: ele claramente favorece o campo e ironiza a cidade.
Gabarito: C
O texto faz uma comparação entre cidade e campo, mas não de modo neutro: ele exagera os defeitos da cidade e as qualidades do campo para produzir um efeito crítico e bem-humorado. Esse tipo de construção é muito comum em textos argumentativos e depende da leitura de subentendidos, não apenas do sentido literal das palavras. Repare na frase sobre a cidade: “bela música das buzinas” e “ar saudável, enriquecido de fumaça” são expressões claramente contraditórias. Ninguém chama buzina de música nem fumaça de ar saudável. Esse choque entre o que se diz e o que realmente se quer dizer é o coração da ironia. Por isso, o gabarito é a letra C. O autor desvaloriza a vida na cidade fingindo elogiá-la, mas o elogio é falso e serve justamente para criticar. Ao mesmo tempo, o texto também idealiza o campo, reforçando o contraste entre os dois ambientes. Em questões da FGV, fique atento a esse jogo de aparência e intenção. Se o texto diz uma coisa, mas o contexto mostra que a intenção é o contrário, você está diante de ironia, um recurso expressivo muito usado para argumentar com crítica e sarcasmo leve.