Há alguns verbos na língua portuguesa – ter, fazer, dar e pôr - que são empregados em lugar de outros de significado mais preciso. Assinale a frase abaixo em que o verbo FAZER é substituído adequadamente por outro verbo de valor equivalente e mais específico.
- A)Janeiro é o tempo em que se fazem bons votos aos amigos. / Janeiro é o tempo em que se concretizam bons votos aos amigos.
Errada: “concretizar bons votos” não é equivalente a “fazer bons votos”, que significa desejar algo, e não tornar algo concreto.
- B)Nunca faça previsões, especialmente para o futuro. / Nunca construa previsões, especialmente para o futuro.
Errada: “construir previsões” não é substituição natural nem semântica adequada, pois previsões são feitas ou formuladas, não construídas.
- C)Há pessoas tão chatas que nos fazem perder um dia em cinco minutos. / Há pessoas tão chatas que nos levam a perder um dia em cinco minutos.
Certa: “nos levam a perder” preserva o valor causal de “nos fazem perder” e substitui o verbo por um equivalente mais preciso.
- D)Prazos largos são fáceis de subscrever. A imaginação os faz infinitos. / Prazos largos são fáceis de subscrever. A imaginação os ocupa infinitamente.
Errada: “ocupa infinitamente” não equivale a “faz infinitos”; a troca altera o sentido e cria construção pouco natural.
- E)Quando a história se encarrega de fazer teatro, o faz maravilhosamente. / Quando a história se encarrega de encenar teatro, o faz maravilhosamente.
Errada: “encenar teatro” não substitui adequadamente “fazer teatro” nesse contexto, pois a frase usa “fazer teatro” em sentido figurado, de simulação.
Gabarito: C
A banca quer que você perceba um uso muito comum em português: verbos coringas como fazer, ter, dar e pôr aparecem em frases em lugar de verbos mais precisos. A questão pede justamente a troca por um verbo de valor equivalente, mas mais específico e natural no contexto. Não basta existir uma ideia parecida: a substituição precisa preservar o sentido sem deixar a frase estranha. Na alternativa C, isso acontece direitinho. Em “nos fazem perder um dia em cinco minutos”, o verbo fazer indica causa, isto é, alguém ou algo provoca a perda de tempo. A troca por “nos levam a perder um dia em cinco minutos” mantém a relação de causalidade e fica idiomaticamente correta. É o clássico caso em que “levar a” substitui bem “fazer” com o sentido de provocar uma ação. Nas demais opções, a substituição soa artificial ou muda o sentido. A FGV gosta desse tipo de teste de precisão vocabular: ela oferece um verbo genérico e cobra se você sabe escolher o mais exato para a construção. Aqui, a resposta certa é a que preserva o sentido e melhora a naturalidade da frase, sem inventar moda.