Um estudante de Farmácia termina uma exposição oral em sala de aula com a seguinte declaração: “Finalmente, devo dizer que de todos os analgésicos existentes no mercado, o melhor é o DOLOL, pois foi o único que acabou com a minha dor.” Assinale a afirmação correta sobre os argumentos utilizados nesse segmento.
- A)Os argumentos são bastante válidos, já que se fundamentam em experiências pessoais.
Errada: a experiência pessoal aparece no texto, mas ela não basta para tornar o argumento válido em termos gerais.
- B)Os argumentos empregados no texto possuem base científica, já que se ligam a estudos de Farmácia.
Errada: não há estudo científico, dado técnico ou pesquisa farmacológica sendo citados, apenas um relato individual.
- C)Os argumentos possuem base estatística, pois são frutos de comparação entre vários medicamentos.
Errada: não existe comparação estatística entre vários medicamentos, só uma opinião baseada em um caso particular.
- D)Os argumentos procuram universalizar uma experiência individual.
Certa: o texto pega uma experiência individual e tenta transformá-la em afirmação geral sobre o melhor analgésico.
- E)Os argumentos, por serem de base individual, mostram desprezo pela ética profissional.
Errada: o problema é lógico-argumentativo, não ético; o texto não revela, por si só, desprezo pela ética profissional.
Gabarito: D
A questão cobra um ponto clássico de interpretação: a diferença entre experiência pessoal e argumento com pretensão de validade geral. Quando o estudante diz que o DOLOL é "o melhor" porque foi o único que acabou com a sua dor, ele está partindo de um caso individual, ligado à própria vivência, não de uma pesquisa ampla ou de um estudo científico. Isso pode até servir como relato pessoal, mas não prova que o remédio seja o melhor para qualquer pessoa. Repare no salto lógico: de "funcionou comigo" para "é o melhor no mercado". Esse salto é justamente a armadilha. Em linguagem de concurso, a conclusão tenta universalizar uma experiência individual, isto é, transformar um caso particular em regra geral. A FGV adora esse tipo de cobrança, porque mistura opinião, prova e generalização no mesmo pacote. Por isso, o gabarito é a letra D. O argumento não está fundamentado em estatística, nem em base científica, nem em ética profissional, mas em um testemunho pessoal usado como se valesse para todos. Em interpretação de texto, esse tipo de generalização apressada é um erro argumentativo muito comum.