Numa discussão política sobre a validade de um projeto, um dos interlocutores declara: “Você não pode confiar nos projetos políticos desse senador, sabendo que ele traiu a mulher com a secretária”. Nesse argumento, o problema está em
- A)apelar para um argumento de caráter moral num espaço de atuação em que a moralidade não atua.
Errada, porque o problema não é simplesmente usar um juízo moral, e sim desviar da análise do projeto para atacar a vida pessoal do senador.
- B)realizar um ataque de caráter pessoal, abandonando o tema contido na afirmação inicial.
Certa, porque o enunciado abandona o mérito do projeto e faz um ataque de caráter pessoal ao autor da proposta.
- C)fugir do assunto, sobre o qual não há argumentos convincentes, propondo a discussão de um novo tema.
Errada, porque não há fuga para novo tema nem ausência de argumentos sobre o assunto, mas sim um ataque ao interlocutor.
- D)solicitar ajuda da autoridade da mídia impressa, que havia publicado notícias injuriosas sobre o autor do projeto.
Errada, porque não há qualquer menção a apoio da mídia impressa ou a notícias de jornal como fundamento do argumento.
- E)intimidar o interlocutor com a alusão implícita ao perigo de apoiar alguém imoral.
Errada, porque a fala não visa intimidar o interlocutor, e sim desqualificar o senador por sua conduta pessoal.
Gabarito: B
Aqui a banca quer que voce reconheca uma falácia bem comum em discussões: em vez de atacar o argumento, a pessoa ataca a vida privada de quem falou. É o famoso “olha quem está falando”, como se um deslize pessoal, por si só, anulasse automaticamente a proposta política. Isso não prova que o projeto é ruim; só desvia o foco para a biografia do senador. Em redação e interpretação, isso aparece como ataque pessoal ou ad hominem: o raciocínio sai do tema principal e tenta derrubar o interlocutor pelo caráter, pela conduta ou por alguma característica irrelevante ao ponto discutido. Em lógica argumentativa, a validade de uma ideia deve ser analisada pelo conteúdo, pelas razões e pelas evidências, não por fofoca de bastidor. Por isso o gabarito é a letra B. A frase não demonstra defeito no projeto político, nem discute sua viabilidade, legalidade ou eficácia. Ela apenas tenta descredibilizar a proposta a partir de uma traição conjugal, que é um fato moralmente reprovável, mas que não prova nada, sozinho, sobre a qualidade do projeto. Em linguagem de prova, pense assim: se a crítica não enfrenta o argumento e só tenta manchar a pessoa, você já pode acender a luz amarela. A FGV gosta bastante desse tipo de raciocínio que confunde pessoa com ideia, então vale ficar atento.