Entre as frases abaixo, assinale aquela em que o vocábulo “mais” mostra valor de “tempo”.
- A)Os animais que o ser humano come não se extinguem. É por isso que temos mais galinhas do que águias neste país.
Errada, porque “mais” está indicando quantidade, na comparação implícita entre galinhas e águias.
- B)Graças a Deus o sol já se pôs, e não tenho mais de sair para aproveitá-lo.
Certa, porque “mais” tem valor temporal, associado à ideia de continuidade encerrada ou de não precisar mais sair.
- C)Uma cultura não tem mais valor do que os seus bosques.
Errada, porque “mais” está em sentido comparativo, oposto a “menos valor”.
- D)O cavalo. A mais bela conquista que o homem já fez.
Errada, porque “mais bela” expressa superlativo relativo, e não tempo.
- E)O amanhecer é o momento mais bonito do dia, mas, quando ele chega, encontra a maioria das pessoas dormindo.
Errada, porque “mais bonito” também funciona como adjetivação comparativa/superlativa, sem valor temporal.
Gabarito: B
Na prova de português, a palavra “mais” pode assumir vários papéis: quantidade, comparação, intensidade, superlativo e, em certos contextos, valor temporal. O segredo é olhar a frase inteira e perguntar: aqui ele está falando de “ainda”, “depois”, “por mais tempo” ou apenas comparando coisas? Se você faz essa checagem, o “mais” para de parecer um camaleão sem controle. Na alternativa B, “não tenho mais de sair para aproveitá-lo”, o “mais” não indica quantidade nem comparação. Ele entra com sentido de tempo, isto é, de “não preciso sair novamente”, “não preciso sair ainda” ou “não tenho mais obrigação de sair”. A ideia central é de continuidade temporal encerrada: o sol já se pôs e, por isso, acabou a necessidade desse sair para aproveitá-lo. Esse uso é típico da análise semântica cobrada em concursos: a palavra só ganha valor correto quando você lê o contexto. Não basta decorar que “mais” = oposição a “menos”. Em português, o mesmo vocábulo pode mudar de função conforme a frase, e a FGV adora explorar essa troca de roupa sem avisar. Assim, a alternativa B é a correta porque traz “mais” com valor temporal, ligado à noção de “já não”, “ainda não” ou “de novo”, e não com sentido de comparação ou quantidade.