Observe a frase a seguir: “Você pronuncia essas palavras de forma tão diferente por quê?” Nessa frase, o vocábulo “que” recebe acento gráfico porque
- A)estabelece diferença entre o interrogativo e a conjunção.
Errada: o acento não existe para diferenciar interrogativo de conjunção, mas para marcar tonicidade e posição final na pergunta.
- B)está em posição final de uma frase interrogativa, que, por ter entonação ascendente, o torna tônico.
Certa: no fim de frase interrogativa, "quê" fica tônico e, por ser monossílabo terminado em "e", recebe acento gráfico.
- C)dá ênfase ao espanto do enunciador.
Errada: o acento não serve para expressar espanto, e sim para indicar pronúncia tônica.
- D)é um monossílabo tônico terminado em “e”; sua posição na frase não interfere na regra ortográfica.
Errada: a regra depende da posição na frase, porque é justamente o final da interrogativa que torna o "quê" tônico.
- E)leva acento gráfico para indicar que a vogal U não deve ser pronunciada.
Errada: essa justificativa vale para outros casos, como o trema antigo ou o uso de "u" pronunciado, mas não para "por quê".
Gabarito: B
Aqui a palavra em foco é o "quê" de "por quê". Quando ele aparece no fim da frase interrogativa, fica tônico, isto é, recebe a força da voz. E, em português, monossílabos tônicos terminados em "e" levam acento gráfico: daí o "quê" com circunflexo. Pense assim: o acento não está ali para enfeitar a frase nem para "dar emoção" ao enunciador, mas para marcar a pronúncia forte e evitar confusão com o "que" átono, que normalmente não leva acento. Na frase "Você pronuncia essas palavras de forma tão diferente por quê?", o "quê" está no final da pergunta, com valor interrogativo e entonação ascendente. Por isso ele é tônico e precisa do acento. É exatamente esse o fundamento da alternativa B. Essa é a regra ortográfica tradicional ensinada pela gramática normativa e cobrada em concursos: monossílabo tônico terminado em "e" recebe acento, e isso aparece de modo clássico em "por quê" no fim de frase.