Assinale a frase que não se apoia em um outro texto amplamente conhecido (intertextualidade).
- A)Não faça de seu cargo uma arma; a vítima pode ser você.
Errada, porque retoma de forma adaptada a ideia de que palavras ou atitudes podem virar contra quem as usa, típica de provérbios e ditos conhecidos.
- B)Quem não deve não tem.
Errada, porque faz eco a um provérbio popular, com a estrutura de máxima moral já consagrada pelo uso.
- C)Às vezes, a alegria do dono do circo é ver o palhaço pegar fogo.
Errada, porque brinca com a lógica de expressões populares e cria um efeito de releitura de frase conhecida.
- D)No Brasil, sucesso é ofensa pessoal.
Certa, porque é uma formulação original, sem apoio evidente em outro texto amplamente conhecido.
- E)Quem espera, nunca alcança.
Errada, porque reproduz um provérbio muito conhecido, usado como referência imediata de intertextualidade.
Gabarito: D
Intertextualidade é o diálogo entre textos: uma frase, expressão ou ideia reaparece apoiada em um texto anterior, muitas vezes em forma de paródia, citação, referência ou adaptação. Em prova, a banca gosta de pegar justamente isso e perguntar qual enunciado não tem essa “som de eco” de outro texto famoso. Aqui, a tarefa é identificar a frase que não se apoia em um texto amplamente conhecido. As alternativas A, B, C e E têm estrutura e sentido claramente inspirados em ditos populares, provérbios ou frases consagradas, funcionando como releituras bem reconhecíveis. Já a alternativa D soa como uma criação autoral, sem remeter de modo evidente a um enunciado clássico anterior. Perceba a diferença: quando há intertextualidade, você sente o texto original “piscar” por trás da frase nova. Em D, isso não acontece. A formulação é original e aforística, mas não depende de um texto prévio famoso para produzir sentido. Na prática, a FGV costuma testar essa habilidade de reconhecimento: não basta a frase ser inteligente ou parecer sentenciosa, ela precisa conversar com outro texto conhecido. Por isso, o gabarito é D.