As frases a seguir mostram uma expressão de tom negativo. Tais expressões foram atenuadas com o emprego de negações. Assinale a opção em que essa forma de atenuação está semanticamente inadequada.
- A)Parece-me que esse cachorro te odeia / não gosta de você.
Está adequada, porque “não gosta de você” suaviza bem a ideia mais forte de “odeia”.
- B)Proibiram-nos sair da cadeia / não entrar na cadeia.
Está inadequada, porque “proibir sair da cadeia” não se equaciona com “não entrar na cadeia”, já que uma ideia trata de impedir a saída e a outra, a entrada.
- C)Parece-me que a vítima vai morrer brevemente / não vai viver por muito tempo.
Está adequada, pois “não vai viver por muito tempo” atenua corretamente a ideia de que a vítima vai morrer brevemente.
- D)A cama do hotel era desconfortável / não dava conforto suficiente.
Está adequada, porque “não dava conforto suficiente” funciona como versão mais branda de “desconfortável”.
- E)A feijoada está azeda / não está fresca.
Está adequada, já que “não está fresca” suaviza a afirmação de que a feijoada está azeda.
Gabarito: B
A questão explora um recurso de atenuação semântica muito comum: trocar uma expressão mais direta e pesada por uma forma negativa mais suave. Em vez de dizer algo de modo frontal, a frase usa a negação para diminuir o impacto, quase como um “jeito educado” de falar a mesma ideia. Isso funciona bem em vários casos. Por exemplo, “não gosta de você” suaviza “odeia”, “não vai viver por muito tempo” ameniza “vai morrer brevemente”, e “não está fresca” é uma forma menos dura de dizer que a comida está estragada. A ideia central continua a mesma, só que com menos agressividade ou menos choque. O problema aparece quando a negação não preserva o sentido original, mas cria outra ideia, às vezes até invertendo a direção da frase. É aí que a atenuação deixa de ser adequada, porque não estamos mais apenas suavizando: estamos mudando a semântica. Em prova, a banca gosta exatamente desse detalhe fino, aquele ponto em que a frase parece parecida, mas não é a mesma coisa. Na alternativa B, “proibiram-nos sair da cadeia” não se atenua corretamente com “não entrar na cadeia”. Proibir sair de um lugar é impedir a saída, enquanto “não entrar na cadeia” fala de impedir a entrada. São ações diferentes, com sentidos opostos no contexto. Por isso, a forma com negação ficou semanticamente inadequada. Não há aqui fundamento legal específico, porque o tema é de semântica e adequação frasal, não de norma jurídica.