A pontuação é um elemento importante na clareza da frase. A opção abaixo em que o emprego da vírgula é devido à elipse do verbo, é:
- A)Quando se morre, é por muito tempo;
Errada, porque a vírgula separa uma oração adverbial temporal da principal, e não marca elipse verbal.
- B)Eu percebo, sem nenhum temor, a desunião das moléculas de minha existência;
Errada, porque as vírgulas isolam um adjunto adverbial intercalado, sem omissão de verbo.
- C)Nada resume um homem, nem sequer suas ideias;
Errada, porque a vírgula apenas separa a oração principal de um complemento que vem depois, sem verbo oculto.
- D)Ele tinha a mesma doença que eu, só que a minha é pior;
Errada, porque a vírgula isola uma expressão explicativa, e o verbo não está elidido nesse trecho.
- E)A rosa vive uma hora; o cipreste, cem anos.
Certa, porque a vírgula indica a elipse do verbo “vive” na segunda parte da frase.
Gabarito: E
A vírgula pode aparecer por vários motivos: separar termos deslocados, isolar aposto, marcar expressões explicativas, ou até indicar uma elipse, isto é, a omissão de um verbo já facilmente recuperável pelo contexto. Em prova, a banca gosta de mostrar frases em que a leitura fica mais elegante e a economia de palavras denuncia o verbo “sumiu”, mas continua subentendido. Na alternativa correta, há paralelismo: “A rosa vive uma hora; o cipreste, cem anos.” Depois de “o cipreste”, a vírgula marca a retirada do verbo “vive”. A reconstrução mental fica assim: “A rosa vive uma hora; o cipreste vive cem anos.” Ou seja, a vírgula não está ali por simples pausa de leitura, mas para indicar essa omissão sintática. Esse tipo de construção é clássico em gramáticas normativas quando tratam de elipse ou zeugma: um termo já mencionado pode ser suprimido na segunda oração sem prejuízo do sentido. Aqui, o efeito é de concisão e contraste, muito comum em frases literárias e proverbiais. Portanto, o gabarito é a letra E, porque a vírgula substitui a repetição do verbo “vive”, deixando a frase enxuta e perfeitamente compreensível.