As formas de comparar duas coisas são muito variadas; assinale a frase em que não ocorre uma comparação.
- A)Nada impede mais a felicidade do que a lembrança da felicidade.
Há aproximação de ideias entre lembrança da felicidade e felicidade, com sentido figurado de contraste, o que afasta a frase da ideia de ausência de relação comparativa.
- B)Felicidade é como uma flor que não se deve colher.
Está correta como comparação, porque usa "como" para aproximar felicidade de uma flor.
- C)A maioria das pessoas é tão feliz quanto decide ser.
Está correta como comparação, pois usa a estrutura correlativa "tão... quanto".
- D)Felicidade é como um beijo: você deve compartilhar para aproveitá-lo.
Está correta como comparação, já que compara felicidade a um beijo por meio de "como".
- E)Deve-se sofrer muito para atingir a felicidade.
É a única sem comparação, porque a frase expressa uma condição ou meio para atingir a felicidade, sem colocar duas coisas em relação comparativa.
Gabarito: E
A questão cobra identificação de comparação, que pode aparecer de forma explícita ou implícita. A comparação explícita costuma vir com conectivos como "como", "tal qual", "assim como", "quanto", "tão... quanto". Já a comparação implícita pode surgir por meio de sentido figurado, aproximando duas ideias sem dizer isso com um comparativo direto. Nas alternativas B, C e D há comparação clara: em B, felicidade é comparada a uma flor; em C, aparece o par "tão... quanto"; em D, felicidade é comparada a um beijo. A alternativa A também traz um jogo comparativo de sentido, colocando a lembrança da felicidade como obstáculo à felicidade, com ideia de contraste e relação entre duas coisas. A que foge desse padrão é a letra E, porque ela apenas afirma uma obrigação ou necessidade: "deve-se sofrer muito para atingir a felicidade". Aqui não há aproximação entre dois elementos por comparação, mas uma relação de condição ou meio para alcançar algo. Ou seja, o enunciado pede a frase sem comparação, e é justamente essa que fica fora do grupo. Em provas da FGV, vale ficar atento porque a banca gosta de misturar comparação com metáfora, sentença sentenciosa e ideia de causa, efeito ou condição. O truque é perguntar: existe um elemento sendo posto ao lado de outro para ser comparado, direta ou indiretamente? Se não existe essa ponte, não há comparação.