Observe o texto abaixo: “A felicidade depende da destreza que tenhamos naquelas atividades que consideramos importantes para nós: somente se damos um real valor aos pequenos detalhes cotidianos, podemos ter instantes felizes. A felicidade absoluta não existe, e já que só podemos ter acesso aos pequenos detalhes daquilo que nos interessa, devemos contentar-nos também com esses breves momentos felizes. Por isso, a infelicidade é um claro sinal de nossa incompetência na arte de viver.” Sobre esse pequeno texto, assinale a afirmativa que está em desacordo com a sua estrutura ou sua significação.
- A)O tema do texto é a discussão sobre o que viria a ser a felicidade e o que seria oposto a ela.
Certa, porque o texto discute a felicidade e a sua oposição, a infelicidade, como tema central.
- B)A estrutura básica do texto é a argumentativa, já que o enunciador defende um posicionamento sobre o tema.
Certa, porque o enunciador apresenta uma tese e a sustenta com argumentos, caracterizando estrutura argumentativa.
- C)O argumento básico do texto se fundamenta nas próprias opiniões do argumentador.
Certa, porque o texto se apoia em juízos e valores do próprio autor, sem recorrer a dados externos ou provas objetivas.
- D)A tese presente no texto é a de que a infelicidade é fruto de nossa incompetência na arte de viver.
Certa, porque a infelicidade é apresentada como resultado da incompetência na arte de viver.
- E)O método empregado na construção do raciocínio nesse texto é o indutivo, já que parte dos detalhes para o todo.
Errada, porque o texto não constrói uma generalização a partir de casos particulares; ele parte de uma tese geral e a desenvolve com argumentos.
Gabarito: E
O texto tem natureza claramente argumentativa: o autor apresenta uma tese sobre felicidade, desenvolve razões para sustentá-la e conclui com uma ideia de valor conclusivo sobre a infelicidade. Repare que não há mera exposição neutra de fatos, mas defesa de um ponto de vista. Isso é bem típico de texto dissertativo-argumentativo, em que a opinião do enunciador vem acompanhada de justificativas. A ideia central é que a felicidade não é algo absoluto e depende da capacidade de valorizar os pequenos detalhes da vida. A partir daí, o texto liga a infelicidade à incompetência na arte de viver. Ou seja, a infelicidade aparece como consequência de uma forma inadequada de lidar com a própria existência, e não como simples azar do destino. O ponto que derruba a alternativa E é o tipo de raciocínio apresentado. O texto não parte de casos particulares para chegar a uma conclusão geral, como ocorre no indutivo. Ele faz o caminho inverso: parte de uma tese geral sobre felicidade e depois explica, por meio de razões e exemplos abstratos, por que essa tese faria sentido. Em termos de lógica textual, isso se aproxima mais de um raciocínio dedutivo do que indutivo. Em prova da FGV, vale ficar atento: a banca gosta de misturar análise de estrutura textual com noções de argumentação. Então, sempre pergunte a si mesmo: o texto descreve, narra ou defende uma ideia? Aqui, ele defende uma ideia - e a armadilha está justamente em chamar de indutivo um texto que, na verdade, caminha da tese para a explicação.