Assinale a opção em que a conjunção E mostra um valor diferente do de adição.
- A)Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.
Errada, porque o e liga duas palavras em simples enumeração, com valor aditivo.
- B)É preciso sermos ponte, cobrir os abismos e nunca aprofundá-los.
Errada, porque o e apenas coordena duas ações sucessivas, mantendo a ideia de adição.
- C)Boa comunicação é tão estimulante quanto café preto e tão difícil quanto dormir depois.
Errada, porque o e une dois paralelismos comparativos, sem afastar o sentido de soma.
- D)Há tanta suavidade em nada dizer e tudo se entender...
Certa, porque o e não soma apenas duas ações: ele cria contraste implícito entre o silêncio e o entendimento total.
Gabarito: D
A conjunção e, em português, normalmente soma ideias: "isso e aquilo". Mas, em prova, ela adora trocar de roupa e aparecer com outro valor semântico, como oposição, consequência, alternância ou até explicação, dependendo do contexto. Então você não pode olhar só a conjunção isolada: é preciso ler a relação que ela cria entre as palavras ou orações. Na alternativa correta, a letra D, "nada dizer e tudo se entender", o e não está simplesmente somando duas ações. A ideia é de contraste implícito: mesmo sem falar, há entendimento total. Ou seja, o silêncio produz o entendimento, e isso foge do simples valor aditivo. É um uso muito comum em texto literário, em que a coordenação ganha sentido expressivo. As demais alternativas mantêm o valor mais direto de adição. Em A, há uma enumeração de palavras; em B, há uma sequência de ações; em C, a conjunção liga dois blocos comparativos paralelos. Nada de surpresa semântica por lá. Resumo de prova: se o e apenas encadeia itens, é adição. Se ele cria contraste, resultado, sequência enfática ou outra relação contextual, a banca quer que você perceba o valor diferente. Aqui, a FGV explorou justamente esse efeito expressivo do texto, e por isso o gabarito é D.