“Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe porquê. Neste recinto, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe porquê.” Na estruturação desse texto, o erro está
- A)no emprego de “Neste” no lugar de “Nesse”.
Errada, porque "Neste recinto" é correto: o demonstrativo retoma algo próximo do enunciador, sem impropriedade gramatical.
- B)na grafia de “porquê” no lugar de “por quê”.
Certa, porque no fim da frase o correto é "por quê", separado e com acento, e não "porquê".
- C)na forma plural “conjugam-se” no lugar de “conjuga-se”.
Errada, porque o verbo "conjugar-se" concorda com o sujeito composto "teoria e prática", portanto o plural está adequado.
- D)na utilização de dois pontos (:) em lugar da conjunção “pois”.
Errada, porque os dois-pontos podem introduzir explicação, síntese ou consequência, como ocorre aqui; não há necessidade obrigatória de substituir por "pois".
- E)no uso de “e ninguém” em lugar de “mas ninguém”.
Errada, porque "e" está bem empregado para ligar ideias em sequência e reforçar a ironia do texto.
Gabarito: B
A diferença entre "por que", "porque", "por quê" e "porquê" costuma derrubar muita gente, porque a palavra muda de roupa conforme a função na frase. Aqui, o trecho final é "ninguém sabe porquê", mas ele está no fim da oração e tem sentido de motivo, causa, isto é, de "por qual razão". Nessa situação, o correto é usar "por quê", com acento e separado, porque a expressão está em posição final. Quando "que" vem no fim da frase, ele recebe acento tônico: "Você fez isso por quê?" / "Ninguém sabe por quê". Já "porquê" junto é substantivo, geralmente equivalente a "motivo" ou "razão", e costuma vir com artigo ou outro determinante: "o porquê da escolha", "não entendi o porquê". Como não é esse o caso, a grafia da alternativa B está errada no enunciado original, e por isso ela é o gabarito. Resumindo a regra de concurso: no fim de frase, use "por quê"; com valor de substantivo, use "porquê"; e, nas demais situações, normalmente aparecem "por que" ou "porque" conforme a função.