Assinale a opção que apresenta a frase em que o vocábulo mais tem valor de quantidade e não de intensidade.
- A)Nada agrava mais a pobreza do que a mania de parecer rico.
Errada, porque "mais" intensifica a ação de agravar, funcionando como reforço de grau, não como quantidade.
- B)Nada mostra mais covardia que a riqueza.
Certa, porque "mais" expressa ideia de maior grau ligado à covardia, sendo lido aqui como valor de quantidade e não de simples intensidade.
- C)Os homens mais respeitáveis não são sempre os mais respeitáveis.
Errada, porque em ambos os usos "mais" atua como intensificador/comparativo de qualidade, não como marcador de quantidade.
- D)Vale mais vida de pobre sob o abrigo de teto de tábua do que alimentos finos em casa alheia
Errada, porque "vale mais" indica comparação de valor, com sentido de superioridade/intensidade, e não quantidade.
Gabarito: B
A palavra "mais" pode funcionar de dois jeitos bem parecidos na aparência, mas diferentes no sentido: como intensificador, ela reforça uma qualidade ou ação; como indicador de quantidade, ela aponta maior volume, número ou grau comparativo de algo mensurável. Em prova, a pista costuma estar no que vem depois de "mais": se a ideia é "em maior quantidade", você está diante de quantidade; se a ideia é "mais forte, mais intenso, mais grave", a leitura tende a ser de intensidade ou comparação de qualidade. Na frase "Nada mostra mais covardia que a riqueza", o vocábulo "mais" não está apenas intensificando uma característica genérica. Ele marca uma comparação de grau relacionada à própria covardia, isto é, aponta algo como "maior grau de covardia". A banca quer que você perceba esse uso comparativo ligado à medida da característica, e não a simples reforço expressivo. Já nas outras alternativas, "mais" aparece como intensificador típico, bem no estilo do português de prova: "mais agrava", "mais respeitáveis", "vale mais". Nesses casos, a palavra reforça a ideia verbal ou adjetiva, sem funcionar como valor de quantidade propriamente dito. Resumo de concurso: quando "mais" puder ser trocado mentalmente por "em maior quantidade" ou "em grau superior mensurável", pense em quantidade; quando ele só der força à frase, pense em intensidade. A FGV gosta dessa sutileza porque adora separar o aluno que lê do aluno que caça vocábulo.