Assinale a frase em que a expressão “é que” não mostra valor enfático, fazendo parte da estrutura sintática da frase.
- A)É o uniforme que faz esquecer aquele que o veste.
Errada, porque “É o uniforme que...” destaca o sujeito por meio de construção enfática.
- B)O hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras.
Errada, porque “O hábito é que...” também tem valor de realce, com foco no sujeito.
- C)A resposta é que todos devem colaborar.
Certa, porque “é que” integra a estrutura da frase sem produzir ênfase.
- D)A leitura é que nos torna mais cultos.
Errada, porque “A leitura é que...” usa a expressão para enfatizar o termo “A leitura”.
- E)Não sabemos quando é que custa a vida.
Errada, porque “quando é que” aparece em construção interrogativa com valor expressivo, não como mero encaixe neutro.
Gabarito: C
A expressão “é que” pode aparecer de dois jeitos principais: como estrutura enfática, destacando um termo da frase, ou como simples encaixe sintático, sem esse brilho de holofote. Quando ela faz parte da construção normal, geralmente vem depois de um nome ou de uma expressão que funciona como ponto de partida da oração: “A resposta é que...”. Nas frases enfáticas, a ideia é quase de foco: alguém quer dizer “foi justamente isto” ou “é este termo que importa”. É o caso de estruturas como “É o uniforme que...” e “O hábito é que...”, em que a frase seleciona e realça um elemento. Já em “A resposta é que todos devem colaborar”, não há esse efeito de destaque. A expressão introduz a oração subordinada que completa o sentido de “a resposta”, funcionando como parte da estrutura do período. Em outras palavras, não é um truque de ênfase, é a própria engrenagem da frase. Por isso o gabarito é a alternativa C: nela, “é que” não está com valor enfático, mas integrando a construção sintática. Em prova da FGV, vale ficar atento: se houver ideia de foco ou realce, desconfie de ênfase; se a expressão apenas liga e completa a oração, ela está na estrutura.