Leia o fragmento textual a seguir, retirado de um livro teórico sobre argumentação. “Do ponto de vista político, não é inútil destacar que a argumentação se desenvolveu nos países que garantem e valorizam a autonomia do indivíduo. Mas, apesar de o nascimento e o desenvolvimento da argumentação fazerem supor o respeito à liberdade das pessoas, essa atividade procura de fato negar essa liberdade já que sua finalidade é impor concepções de um emissor a um destinatário”. Esse pensamento sobre a argumentação mostra
- A)um paradoxo.
Certa, porque o texto reúne ideias aparentemente contraditórias sobre a argumentação: ela nasce ligada à liberdade, mas pode funcionar como imposição.
- B)uma comparação.
Errada, porque o fragmento não coloca dois elementos em relação de semelhança, como ocorreria numa comparação.
- C)uma oposição.
Errada, porque há mais do que simples oposição entre termos; o texto cria uma tensão interna entre afirmações que parecem incompatíveis.
- D)uma dúvida.
Errada, porque não há hesitação ou incerteza do autor, e sim uma afirmação crítica bem definida.
- E)uma explicação.
Errada, porque o trecho não busca esclarecer uma ideia por meio de causa, desenvolvimento ou detalhamento; ele contrapõe sentidos.
Gabarito: A
A questão cobra a leitura de uma contradição aparente no texto. Repare que o autor primeiro afirma que a argumentação nasceu e se desenvolveu em ambientes que valorizam a autonomia individual. Até aqui, a ideia parece caminhar no sentido da liberdade. Mas, logo em seguida, ele afirma que essa mesma atividade tende a negar a liberdade, porque busca impor ao destinatário as concepções do emissor. Ou seja, o texto junta duas ideias que, à primeira vista, se chocam: a argumentação como fruto da liberdade e a argumentação como instrumento de imposição. Esse tipo de construção é o paradoxo: uma combinação de enunciados aparentemente incompatíveis, mas que faz sentido dentro da reflexão proposta. Em provas da FGV, vale muito observar quando o autor junta afirmações que se negam ou se tensionam mutuamente, sem que uma anule totalmente a outra. Por isso, o gabarito é a letra A. Não se trata de comparação, oposição simples, dúvida ou explicação direta, mas de uma formulação que revela um contraste interno forte, quase um “sim, mas não” da argumentação.