O Conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859. Morreu de apoplexia fulminante, pouco depois de cochilar a sesta, — segundo costumava dizer, — e quando se preparava a ir jogar a usual partida de voltarete em casa de um desembargador, seu amigo. O Dr. Camargo, chamado à pressa, nem chegou a tempo de empregar os recursos da ciência; o Padre Melchior não pôde dar-lhe as consolações da religião: a morte fora instantânea. Assinale o termo a seguir que exerce função sintática diferente da dos demais
- A)às 7 horas da noite.
Correta como termo circunstancial de tempo, funcionando como adjunto adverbial.
- B)de 25 de abril de 1859.
É a diferente, porque especifica o substantivo "noite" e não o verbo, fugindo da função circunstancial das demais.
- C)de apoplexia fulminante.
Indica a causa da morte, portanto tem valor adverbial e não é o termo diferente.
- D)em casa de um desembargador.
Expressa lugar, funcionando como adjunto adverbial de lugar.
Gabarito: B
Na sintaxe, o segredo aqui é perceber que nem toda expressão preposicionada tem a mesma função. Algumas dão ideia de tempo, lugar ou causa e costumam funcionar como adjuntos adverbiais. Outras apenas completam o sentido de um nome, como ocorre com expressões ligadas a substantivos do enunciado. Em "às 7 horas da noite", você tem uma indicação de tempo. Em "de apoplexia fulminante", a expressão traz a causa da morte. Em "em casa de um desembargador", a frase indica lugar. Todas essas expressões dialogam com o verbo e reforçam circunstâncias da ação. Já "de 25 de abril de 1859" não atua como circunstância do verbo morrer. Ela especifica o nome "noite", formando a ideia de "a noite de 25 de abril de 1859". Ou seja, sua função é ligada ao substantivo, e não ao verbo. É por isso que ela foge do padrão das demais. Então o gabarito é B porque, entre as alternativas, é a única que não exerce valor circunstancial em relação ao verbo. Em prova, isso costuma aparecer como a diferença clássica entre adjunto adverbial e termo que integra o sentido de um nome. Se você olhar com calma, a banca gosta exatamente dessa troca de foco: verbo em uma ponta, substantivo na outra.