Abaixo estão quatro pares de frases com uma formulação muito próxima; assinale a opção que apresenta o par em que, apesar da diferente formulação, o significado das frases é idêntico.
- A)O bandido confessou que não fazia parte da quadrilha. / O bandido não confessou que fazia parte da quadrilha.
Errada, porque "não fazia parte da quadrilha" não é o mesmo que "não confessou que fazia parte da quadrilha".
- B)Nossa turma viajará só na quarta-feira. / Só nossa turma viajará na quarta-feira.
Errada, porque "só" muda de alcance: pode limitar a turma ou limitar quem viajará.
- C)Declarou finalmente que um novo projeto seria apresentado. / Declarou que finalmente um novo projeto seria apresentado.
Errada, porque "finalmente" pode modificar a declaração ou o momento em que o projeto seria apresentado.
- D)Estava com fome e comeu até os bagaços da laranja. / Estava com fome e até comeu os bagaços da laranja.
Certa, porque a posição de "até" muda a ênfase, mas não altera o sentido básico da frase.
Gabarito: D
Neste tipo de questão, o segredo é observar se a mudança de posição de uma palavra altera o sentido da frase. Em português, principalmente com advérbios como "só", "finalmente" e "até", a posição pode mudar totalmente a ideia: às vezes a palavra limita o sujeito, às vezes limita o verbo, e às vezes reforça uma circunstância. Parece detalhe, mas a banca adora esse detalhe com cara de inocente. Na alternativa correta, a diferença de ordem não muda o conteúdo semântico. Em "Estava com fome e comeu até os bagaços da laranja", o "até" introduz uma ideia de inclusão extrema: a pessoa, por estar com fome, chegou ao ponto de comer até os bagaços. Em "Estava com fome e até comeu os bagaços da laranja", o "até" continua com valor de inclusão, reforçando que, com tanta fome, a pessoa comeu os bagaços também. O efeito expressivo muda um pouco, mas o significado central permanece idêntico. Isso acontece porque o "até" está ligado ao verbo "comeu" em ambos os casos, funcionando como intensificador do ato de comer algo improvável. Não há inversão lógica nem mudança de foco relevante, apenas rearranjo de ênfase. Em provas da FGV, esse tipo de análise é muito comum: ela explora se você percebe que, em certos contextos, a ordem das palavras altera apenas a ênfase, e não o sentido. As outras alternativas mudam o significado. Em uma, a negação e a confissão não equivalem; em outra, "só" pode restringir a turma ou a ação de viajar; e em outra, "finalmente" pode se referir ao momento da declaração ou ao projeto. Ou seja: a banca quer saber se você lê com lupa, não só com pressa.