Observe o texto a seguir. À Beça Gumercindo Bessa (1859-1913), jornalista e jurista alagoano, foi adversário de Rui Barbosa na Questão Acreana, em que o Estado do Amazonas pretendia incorporar o Território do Acre. Bessa venceu a questão em favor do Acre, apresentando argumentos irrefutáveis e numa quantidade impressionante. Posterriormente, mas não muito, Rodrigues Alves (Presidente do Brasil de 1902 a 1906) diria a um cidadão que lhe apresentava um pedido com justificativas infindáveis: "O senhor tem argumentos à Bessa". A partir dai, popularizou-se a expressão à beça com o sentido de uma grande quantidade ou intensidade. Por que os dois esses viraram cê-cedilha? Ninguém sabe. (Reinaldo Pimenta, A Casa da Mãe Joana 2) A ideia central do texto é a de
- A)explicar a origem histórica de uma expressão popular.
Certa, porque o texto explica de onde veio a expressão “à beça”, relacionando-a a um episódio histórico.
- B)justificar a duplicidade de grafia de uma expressão.
Errada, porque o texto não justifica a grafia duplicada, apenas comenta de modo irônico que ninguém sabe a razão.
- C)indicar o sentido preciso da expressão à beça.
Errada, porque o foco não é definir o sentido da expressão, mas narrar sua origem.
- D)mostrar como as palavras se constroem socialmente.
Errada, porque o texto não discute a formação social das palavras em geral, e sim um caso específico de origem popular.
- E)documentar um erro ortográfico.
Errada, porque não há intenção de registrar erro ortográfico; há uma explicação histórica com tom curioso.
Gabarito: A
A questão cobra interpretação de texto, isto é, identificar a ideia central do que foi lido. Aqui, o texto não quer discutir ortografia, nem aprofundar o sentido atual de uma expressão: ele quer contar uma história curiosa sobre como surgiu a expressão “à beça”. Repare no encadeamento: o autor apresenta Gumercindo Bessa, explica a disputa com Rui Barbosa, depois mostra a fala atribuída a Rodrigues Alves e, por fim, diz que daí se popularizou a expressão. Ou seja, a finalidade é explicar a origem histórica de uma locução popular, quase como uma pequena anedota etimológica. A última frase, “Por que os dois esses viraram cê-cedilha? Ninguém sabe.”, entra como comentário irônico, mas não muda o foco do texto. Ela só reforça que há uma curiosidade linguística em torno da expressão, sem transformar o texto em uma discussão sobre grafia correta. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Em prova da FGV, vale muito observar o verbo dominante do texto: se o autor narra e explica uma origem, a ideia central costuma estar nesse movimento de esclarecimento histórico, e não em detalhes secundários.