“O filme mostrava a cena de um menino que, por meio de um pequeno buraco na parede, observava uma menina do prédio vizinho, que praticava exercícios de balé. A observação não era cômoda, pois não podia ver todos os gestos da bailarina, assim como não podia mexer-se muito a fim de não ser denunciado em sua espionagem”. Nesse caso, o observador sofre limitações na descrição da cena citada, causadas
- A)pela falta de conhecimento específico sobre a dança, que o impede de ver integralmente o fato.
Errada, porque o texto não diz que ele desconhece balé, mas sim que não consegue ver tudo por causa da posição em que está.
- B)pelo fato de estar praticando algo indevido, como espiar a bailarina sem o seu conhecimento ou permissão.
Errada, porque o fato de estar espionando explica o caráter indevido da ação, mas não a limitação descritiva mencionada no enunciado.
- C)pela sua própria condição física de estar espiando a dança por um pequeno orifício na parede.
Certa, porque o menino observa por um pequeno buraco na parede e, por isso, sua visão é fisicamente limitada.
- D)pela circunstância de a própria cena exigir um conjunto de dados específicos que a situação não fornecia.
Errada, porque o problema não é a cena exigir dados especiais, e sim o observador não ter acesso visual completo à cena.
- E)pela própria duração temporal do ato descrito, que durava mais do que o tempo disponível do observador.
Errada, porque o texto não sugere falta de tempo para observar, mas restrição espacial e visual da observação.
Gabarito: C
A questão trabalha um ponto clássico de produção e interpretação de texto: a descrição depende do ponto de vista de quem observa. Em outras palavras, quem vê de perto, de longe, por cima, por baixo ou por um furinho na parede nunca enxerga o mesmo quadro completo. A cena é filtrada pelas condições concretas da observação, e isso altera o que pode ser narrado. Aqui, o menino não está em uma posição neutra nem privilegiada. Ele olha a bailarina por um pequeno buraco na parede, o que restringe o campo de visão e impede que veja todos os gestos. Além disso, ele precisa se manter quase imóvel para não ser descoberto. Ou seja: a limitação não está no balé em si, nem no conhecimento do observador, mas na forma física e precária de observação. Por isso, o gabarito é a letra C. A descrição fica limitada pela própria condição física do observador, que está espionando por um orifício pequeno e em posição desconfortável. Em interpretação de texto, isso costuma aparecer muito: a pergunta quer que você identifique a causa concreta da limitação, e não uma explicação genérica ou moralizante. Como regra prática, quando a banca descreve um observador em situação restrita, pense: o problema está no ângulo, na distância, no recorte visual ou na posição de quem vê. É a visão parcial moldando a narrativa.