“Aconteceu aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de milho, que se ergueram orgulhosamente enquanto vazias e, quando se enchem e amadurece o grão, se inclinam e se dobram humildemente. Assim esses homens, depois de tudo terem experimentado, sondado e nada haverem encontrado nesse amontoado considerável de coisas tão diversas, renunciaram à sua presunção e reconheceram a sua insignificância.” Sobre a base argumentativa desse pensamento de Montaigne, é correto afirmar que:
- A)a tese do texto é a de que os verdadeiros sábios se inspiram nas espigas de milho
Errada, porque as espigas de milho não são a tese do texto, mas um elemento comparativo usado para sustentar a reflexão.
- B)o argumento básico do texto é de base comparativa, citando o exemplo das espigas de milho;
Certa, pois o pensamento se estrutura por comparação entre as espigas de milho e os verdadeiros sábios.
- C)a argumentação apresentada é a experiência pessoal do autor, filósofo e escritor;
Errada, porque o trecho não se apoia em experiência pessoal do autor, mas em uma analogia argumentativa.
- D)o público-alvo do texto são os verdadeiros sábios, que não interrompem a trajetória do aprendizado;
Errada, porque o texto não define um público-alvo; ele apresenta uma reflexão filosófica sobre a sabedoria.
- E)a lição do texto é a de que a humildade, também na natureza, só não é seguida pelos verdadeiros sábios, por já possuírem o conhecimento.
Errada, porque inverte o sentido do texto: a humildade é justamente apresentada como característica dos verdadeiros sábios.
Gabarito: B
A questão cobra a base argumentativa do trecho de Montaigne. Aqui, o autor não está apenas contando algo nem fazendo uma definição: ele constrói sua ideia por comparação, usando as espigas de milho como imagem para ilustrar o comportamento dos verdadeiros sábios. Esse tipo de recurso é bem comum em texto argumentativo, porque uma comparação concreta ajuda a sustentar uma reflexão abstrata. Perceba a estrutura: primeiro vem a imagem da natureza, com as espigas vazias que se erguem e as cheias que se inclinam. Depois, Montaigne aplica essa imagem aos homens sábios, concluindo que, após conhecerem os limites do saber, abandonam a presunção e reconhecem a própria insignificância. Ou seja, a comparação funciona como apoio central da argumentação. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela identifica corretamente que o argumento básico do texto é de base comparativa, com o exemplo das espigas de milho. Não é a experiência pessoal do autor, nem um apelo direto ao leitor; é uma analogia que organiza toda a ideia. Em prova da FGV, quando aparecer esse tipo de construção com imagem e sentido moral ou filosófico, desconfie: quase sempre a banca quer que você perceba o mecanismo argumentativo, não só o tema geral.