Assinale a frase que mostra um traço de oralidade.
- A)As ideias são como filhos errantes: aparecem quando menos se espera.
Errada, porque a comparação é poética e literária, sem marca clara de oralidade.
- B)Uma frase é pura enquanto está sozinha. Logo a seguinte tira-lhe alguma coisa.
Errada, pois a frase tem construção reflexiva e elaborada, com tom de aforismo escrito.
- C)O amor é mais precioso que a vida, e a honra mais preciosa que o dinheiro. Mais preciosa que ambos é a palavra.
Errada, porque apresenta paralelismo e solemnidade, características de frase bem lapidada, não oral.
- D)Em minha vida profissional, preferi sempre um breve comentário do que uma longa deliberação.
Certa, porque a construção "preferi... do que" dá um tom mais espontâneo e conversado, típico da oralidade.
Gabarito: D
A questão pede identificar um traço de oralidade, isto é, uma marca que aproxima a frase da fala cotidiana, mais espontânea e menos formal. Em prova da FGV, isso costuma aparecer em construções comparativas ou formuladas de modo mais natural, como se a pessoa estivesse argumentando em voz alta. A alternativa D traz exatamente esse sabor de fala: "preferi sempre um breve comentário do que uma longa deliberação". O uso de "do que" em vez da construção mais rígida e literária "a" ou de uma formulação mais técnica dá um tom mais conversado, mais direto, típico da oralidade. As demais alternativas soam mais sentenciosas, reflexivas ou literárias. Elas têm ritmo de aforismo, de máxima, de frase lapidada, o que é o oposto do registro oral espontâneo. Aqui a banca quer que você perceba o estilo da frase, não apenas o sentido. Em resumo: oralidade não é erro gramatical; é efeito de linguagem. A frase D se destaca porque parece dita por alguém que fala com naturalidade, e não por alguém que está escrevendo uma máxima solene.