Muitas frases são construídas tendo por inspiração outras frases muito conhecidas; a opção abaixo em que a frase inspiradora é vista com reprovação, é:
- A)Será que nossas filigranas jurídicas têm razões que a razão do interesse público desconhece?
É uma adaptação de expressão famosa com tom de jogo de palavras, mas sem reprovação explícita da frase inspiradora.
- B)Conquista-se um eleitorado em situação calamitosa organizando festejos públicos e shows permanentemente, adaptando-se o pão e o circo dos romanos à modalidade cachaça e circo;
Correta: retoma "pão e circo" para criticar, com ironia, a manipulação do eleitorado por festas e entretenimento.
- C)A grande diferença entre liberais e conservadores: estes creem que o homem nasce mau e a sociedade o torna bom. Aqueles, que o homem nasce bom e a sociedade o faz mau;
Há referência a outra frase conhecida, mas o uso é comparativo e explicativo, sem censura à frase inspiradora.
- D)Quem dorme como bebê não tem bebê em casa;
É um trocadilho humorístico com uma frase conhecida, usado em tom leve, não de reprovação.
- E)Nem só de pão vive o homem, pois o presunto de Parma e o queijo suíço também são necessários.
A frase original é transformada com efeito de humor, e não com crítica negativa à inspiração.
Gabarito: B
Essa questão explora intertextualidade, isto é, quando uma frase faz eco a outra já conhecida. O ponto aqui não é só reconhecer a citação, mas perceber o efeito produzido: homenagem, ironia, crítica, paródia ou reprovação. Em prova da FGV, isso costuma vir disfarçado em frases criativas, com um texto conhecido aparecendo de forma mais ou menos torcida. Quando a frase inspiradora é usada com reprovação, o autor normalmente altera o original para denunciar um vício, um defeito ou uma situação absurda. É o caso de adaptações irônicas, em que a expressão famosa é reaproveitada para criticar a realidade. Na linguística textual, isso se aproxima da paródia, que retoma um texto anterior com distanciamento crítico, e não com reverência. Na alternativa B, a expressão "pão e circo" remete à fórmula romana que critica a estratégia de distrair a população com alimento e entretenimento. Ao trocar para "cachaça e circo", a frase atualiza a crítica e deixa claro o juízo negativo: em vez de resolver problemas públicos, tenta-se manter o eleitorado anestesiado por festas e espetáculos. O tom é de censura, não de elogio. Por isso, B é a correta: a frase inspiradora aparece de modo claramente reprovador, como instrumento de denúncia. As demais alternativas usam a frase conhecida de modo neutro, bem-humorado ou apenas brincalhão, sem essa carga crítica tão marcada.