A língua humana é cabal para dizer o que se passa no espírito, mas é incapaz de dizer o que vem do coração. Machado de Assis. Assinale a opção em que o mesmo pensamento aparece.
- A)As palavras do dicionário não possuem tons individuais, mas só universais.
Certa, porque afirma que as palavras têm sentido universal, mas não captam a individualidade afetiva, o que corresponde à ideia do enunciado.
- B)Uma linguagem diferente é uma visão sentimental da vida também diferente.
Errada, porque fala de uma relação entre linguagem e visão sentimental da vida, mas não traz a oposição entre o que a língua consegue e o que ela não consegue expressar.
- C)Quando todos os outros meios de comunicação falham, tente as palavras.
Errada, porque trata de comunicação e de recurso verbal como solução prática, sem relação com a limitação da língua para expressar sentimentos.
- D)Uma coisa escrita sem liberdade não pode ser senão regular ou má.
Errada, porque discute liberdade e qualidade da escrita, tema diferente da reflexão sobre a capacidade da língua de traduzir o coração.
Gabarito: A
A questão explora interpretação de sentido, especialmente a ideia de que a linguagem consegue comunicar o pensamento de forma geral, mas tropeça quando tenta traduzir a singularidade afetiva do coração. Em concurso, isso costuma aparecer como equivalência de ideias: você não procura a frase parecida na aparência, e sim a que repete a mesma visão de mundo do autor. No trecho de Machado de Assis, a oposição é clara: o espírito pode ser dito, mas o coração escapa. Em outras palavras, a língua e suas palavras dão conta do que é mais racional, mais organizado, mais comum, porém nem sempre alcançam os tons íntimos e pessoais da emoção. Por isso o gabarito é a alternativa A. Ao dizer que as palavras do dicionário não possuem tons individuais, mas apenas universais, ela retoma exatamente essa limitação: o vocabulário é geral, coletivo, e não consegue reproduzir com precisão a experiência subjetiva e única do sentimento. É a mesma ideia com roupa diferente. As demais opções se afastam do pensamento central porque falam de relação entre linguagem e vida, de tentativa de comunicação ou de liberdade na escrita, mas sem reproduzir a oposição entre o que a língua expressa e o que ela não consegue expressar. Em prova da FGV, esse tipo de questão costuma premiar a leitura fina do núcleo semântico, não a caça por palavras isoladas.