Assinale a frase em que houve troca indevida entre o/lhe.
- A)Se há um Deus, a expressão que deve irritá-lo é “guerra santa”.
Correta: o verbo "irritar" admite pronome objeto direto, e "o" retoma adequadamente "um Deus".
- B)Nós todos o observamos à distância.
Correta: "observar" é transitivo direto, então "o" está bem empregado.
- C)Minha mãe disse que lhe viu no shopping.
Errada: "ver" é transitivo direto, então o pronome adequado seria "o", e não "lhe".
- D)Todos lhe deram parabéns.
Correta: "dar" exige complemento indireto para quem recebe, por isso "lhe" está adequado.
- E)Não sei quem lhe entregou o prêmio.
Correta: "entregar" pode reger destinatário indireto, então "lhe" está correto.
Gabarito: C
Nesta questão, a ideia é simples: "o" costuma funcionar como pronome objeto direto, enquanto "lhe" é, em regra, pronome objeto indireto, ligado a verbos que pedem preposição, como "dar algo a alguém". Então, quando o verbo é transitivo direto, você deve pensar em "o/a", e não em "lhe". É aquela velha troca que a banca adora: colocar "lhe" onde o verbo não pede preposição. Na frase da alternativa C, o verbo "ver" é transitivo direto. Quem vê, vê alguém ou alguma coisa diretamente, sem preposição. Por isso, o correto seria "Minha mãe disse que o viu no shopping" ou, em boa norma culta, "Minha mãe disse que viu-o no shopping", dependendo da colocação. Como apareceu "lhe viu", houve troca indevida. Já em frases com verbos como "dar", "entregar" e semelhantes, "lhe" pode aparecer com naturalidade, porque há ideia de destinatário, isto é, alguém que recebe algo. É por isso que a banca mistura casos parecidos: você precisa olhar o verbo, não só a presença do pronome. Resumo de ouro para concurso: "o/lhe" não é escolha por gosto, é escolha por regência. Se o verbo pede objeto direto, use "o"; se pede objeto indireto, use "lhe". No caso da letra C, o verbo "ver" derruba o "lhe" sem dó.