O filósofo latino Sêneca afirmou no século I d. C.: “O que quer que um outro disser bem, é meu”. A ideia central dessa frase é
- A)justificar espertamente as possíveis citações de outros autores.
Errada, porque a frase não trata de justificar citações alheias de forma esperta, mas de valorizar a boa ideia como algo compartilhável.
- B)mostrar que copiar textos de qualidade não é crime.
Errada, porque o texto não fala em crime ou em licença para copiar, e sim em circulação cultural de uma formulação bem feita.
- C)explicar o critério de incluir citações alheias em sua obra.
Errada, porque não há explicação de critério para inserir citações na obra, mas a afirmação sobre a natureza comum das boas ideias.
- D)indicar que boas citações constituem um patrimônio comum.
Certa, porque expressa exatamente a noção de que o que é bem dito deixa de ser exclusivo e passa a integrar um patrimônio comum.
- E)demonstrar que compartilhar inteligência é um dever.
Errada, porque a frase não fala em dever de compartilhar inteligência, e sim no caráter coletivo das boas formulações.
Gabarito: D
A frase de Sêneca trabalha com uma ideia bem conhecida na cultura letrada: quando alguém diz algo excelente, essa ideia deixa de ser exclusiva e passa a integrar um patrimônio comum do pensamento. Em outras palavras, o valor está na qualidade da formulação, não na posse egoísta da frase. É quase como dizer: se é bom de verdade, todo mundo ganha com isso. No contexto de questões de interpretação, a banca costuma pedir que você não leia o texto de forma literal demais, mas capte a mensagem central. Aqui, Sêneca não está falando de plágio, nem de autorização para copiar qualquer coisa, e muito menos de um dever moral de compartilhar inteligência. Ele está defendendo que o bom enunciado pode ser apropriado por qualquer pessoa como bem cultural comum. Por isso, o gabarito é a letra D. A frase indica que boas citações, ideias ou formulações brilham para além do autor original e se tornam um patrimônio comum, algo disponível para todos. Isso combina com a tradição humanista de circulação das ideias e com a noção de intertextualidade, em que um texto conversa com outros sem perder valor. Na prática, a mensagem é: se alguém disse algo muito bem dito, essa boa ideia não fica presa a uma cerca com cadeado. Ela vira parte do repertório coletivo, pronta para ser retomada, lembrada e reaproveitada com inteligência.