As opções a seguir apresentam um adjetivo sublinhado. Assinale aquela em que esse adjetivo foi substituído por uma oração adjetiva adequada.
- A)Ouso afirmar que são os homens, e não as mulheres, os culpados pela maioria dos casamentos infelizes / que denunciam a culpa do parceiro.
Errada, porque "culpados" não é o mesmo que "que denunciam a culpa do parceiro"; a oração altera o sentido em vez de apenas caracterizar.
- B)Temam menos a morte e mais a vida insuficiente / que não é bastante.
Certa, porque "insuficiente" equivale exatamente a "que não é bastante", mantendo o mesmo valor adjetivo.
- C)O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras / que leva susto.
Errada, porque "assustadoras" significa "que causam susto", e não "que leva susto", que muda o sujeito da ação e o sentido.
- D)O casamento, se queres saber a verdade, é um mal, mas um mal necessário / de que se prescinde.
Errada, porque "necessário" não corresponde a "de que se prescinde"; na verdade, essa oração sugere o oposto de necessário.
- E)Ser marido é um trabalho de tempo integral / que é diariamente íntegro.
Errada, porque "integral" não significa "que é diariamente íntegro"; a oração não reproduz a ideia do adjetivo e ainda fica sem relação natural com "trabalho".
Gabarito: B
Na sintaxe, uma oração adjetiva faz o papel de adjetivo: ela caracteriza um substantivo, normalmente com pronome relativo como que, quem, cujo, onde. A troca precisa manter o mesmo sentido do adjetivo original, sem inventar outra ideia no caminho. Em prova, a banca gosta de testar exatamente isso: se a oração explica, restringe ou qualifica o mesmo conteúdo do adjetivo sublinhado. Aqui, o ponto é substituir o adjetivo por uma oração que diga a mesma coisa. Em "vida insuficiente", insuficiente significa "que não é bastante", "que não é suficiente". Portanto, a oração em B reproduz corretamente o sentido do adjetivo e funciona como oração adjetiva restritiva, ligada ao substantivo "vida". As demais alternativas escorregam no significado. Algumas criam uma ação ou uma característica diferente da palavra original, outras nem correspondem ao adjetivo sublinhado. Em questões assim, não basta a oração ser gramaticalmente possível: ela precisa ser semanticamente equivalente ao adjetivo que substitui. Então, a lógica é simples: adjetivo = ideia de qualidade; oração adjetiva = essa mesma qualidade desenvolvida em forma de oração. Quando a equivalência de sentido fecha, a alternativa está correta. Quando muda a ideia, a banca já esfrega as mãos.