Sobre o tema da desigualdade entre homens e mulheres no espaço do trabalho, um argumentador, que defendia a necessidade de igualdade, apresentou o seguinte argumento: As mulheres devem ser pagas com os mesmos salários dos homens, afinal somos todos iguais. O argumento utilizado nesse trecho se apoia:
- A)numa relação lógica de causa e consequência;
Errada, porque o trecho não apresenta uma causa que produz uma consequência, mas sim um valor moral que fundamenta a defesa.
- B)no grande número de pessoas que apoiam a mesma ideia;
Errada, pois não há apelo à maioria nem menção ao apoio de outras pessoas à mesma ideia.
- C)no valor ético em que se fundamenta;
Certa, porque o argumento se apoia no valor ético da igualdade, usado como base para defender o salário igual.
- D)na autoridade do argumentador no assunto tratado;
Errada, já que o falante não invoca sua própria autoridade nem a de especialista algum no assunto.
- E)em fatos presentes no momento histórico.
Errada, porque o trecho não usa fatos históricos do momento, e sim uma justificativa de caráter ético.
Gabarito: C
Aqui a banca quer que você identifique o tipo de argumento usado no trecho. Repare que o falante não está provando com estatísticas, nem com autoridade técnica, nem com uma relação de causa e efeito. Ele faz uma defesa baseada em um valor considerado desejável: a igualdade entre as pessoas. Quando ele diz que as mulheres devem receber o mesmo salário porque "somos todos iguais", ele apela a um princípio ético, isto é, a uma ideia de justiça e igualdade que serve de fundamento para a conclusão. Em outras palavras, o raciocínio não convence por fatos externos, mas por um valor moral que parece razoável ao público. Por isso o gabarito é a letra C. Esse tipo de argumento é muito comum em textos de opinião: o autor sustenta a tese com base em valores socialmente aceitos, como justiça, liberdade, dignidade e igualdade. Não é um argumento lógico-formal nem técnico; é uma sustentação axiológica, baseada em valores. Na prática, a FGV gosta muito de testar se você diferencia argumento por valor de argumento por autoridade, por exemplo. Aqui não há especialista, número, prova empírica ou sequência causal. Há uma ideia normativa: "se somos iguais, devemos ser tratados igualmente". Simples, direto e bem cobrado.