Assinale a frase a seguir que, diferentemente das demais, não se estrutura numa oposição.
- A)A eleição direta é mais festiva; a indireta, mais solene.
Errada, porque contrapõe diretamente “eleição direta” e “indireta”, além de “festiva” e “solene”.
- B)Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Errada, porque é um provérbio baseado na oposição entre mandar e obedecer.
- C)Indicamos para o cargo um amigo. O absurdo seria se indicássemos um inimigo.
Errada, porque coloca em contraste “amigo” e “inimigo”, formando uma oposição evidente.
- D)O direito a ser ouvido não inclui o direito de ser levado a sério.
Certa, porque a frase não monta um par opositivo; ela apenas restringe o alcance de “direito a ser ouvido”.
Gabarito: D
A questão explora a ideia de oposição, muito comum em frases construídas por contraste. Em Português, isso aparece quando a frase coloca dois termos, valores ou ideias em confronto, como se um “espelhasse” o outro. A banca FGV gosta bastante desse jogo de contraste, porque ele exige leitura fina, não só decoreba. Nas alternativas A, B e C há oposição clara: em A, “direta” se contrapõe a “indireta”, e “festiva” a “solene”; em B, o provérbio vive da oposição entre quem manda e quem obedece; em C, “amigo” e “inimigo” formam o contraste principal. Já na alternativa D, não há estrutura opositiva entre dois polos equivalentes: a frase apenas amplia ou limita o sentido de “direito a ser ouvido”, dizendo que isso não inclui necessariamente ser levado a sério. Ou seja, D não organiza a ideia em pares opostos do tipo A versus B. Ela trabalha com negação e restrição sem criar uma oposição formal entre termos simétricos. Por isso, é a única que foge do padrão pedido no enunciado. Em provas, vale lembrar: oposição não é qualquer presença de “não”. Precisa haver confronto de ideias ou termos, com equilíbrio entre os lados. Aqui, o truque da banca é fazer você olhar para a negação e achar que ela já basta, mas ela não basta.