Assinale a opção em que a modificação proposta acrescenta uma noção de incerteza.
- A)Fumar prejudica a saúde! / Fumar prejudica certamente a saúde.
Errada, porque “certamente” acrescenta certeza, não incerteza.
- B)Guimarães Rosa é nosso melhor escritor. / Guimarães Rosa é, segundo a maioria, nosso melhor escritor.
Errada, porque “segundo a maioria” indica fonte da opinião, mas não cria dúvida sobre a afirmação.
- C)Os habitantes respiram um ar poluído. / Os habitantes infelizmente respiram um ar poluído.
Errada, porque “infelizmente” expressa avaliação emocional, não incerteza.
- D)Todos cumprimos nosso dever. / Todos devemos cumprir nosso dever.
Errada, porque a segunda frase muda para ideia de dever, e não de dúvida.
- E)A língua inglesa é predominante no Ocidente. / A língua inglesa é, quem sabe, predominante no Ocidente.
Certa, porque “quem sabe” introduz hesitação e noção de incerteza.
Gabarito: E
A questão explora um ponto simples, mas muito cobrado em interpretação: pequenas modificações podem mudar o valor modal da frase, isto é, a atitude de quem fala diante do conteúdo. Nem toda alteração só “embelezou” a oração; às vezes ela cria certeza, dúvida, ironia, desejo, obrigação ou avaliação pessoal. No caso da noção de incerteza, o elemento que costuma aparecer é uma expressão como “quem sabe”, “talvez”, “possivelmente”, que tira a afirmação do campo da certeza absoluta. Em vez de apresentar o fato como algo garantido, o enunciado passa a soar hipotético, aproximado, sujeito a dúvida. É exatamente isso que ocorre na alternativa correta: “A língua inglesa é, quem sabe, predominante no Ocidente.” A locução “quem sabe” introduz dúvida, hesitação, incerteza. Ou seja, a frase deixa de afirmar com segurança e passa a sugerir uma possibilidade. Esse tipo de recurso é clássico na análise semântica e na produção de texto, porque altera o tom argumentativo da frase. As outras opções fazem o contrário: uma reforça certeza, outra traz opinião de terceiros, outra expressa sentimento, e outra muda para obrigação. A banca FGV adora esse tipo de troca sutil, em que uma palavrinha muda completamente a força da afirmação.