Assinale a frase abaixo que mostra a palavra MAIS numa classe gramatical diferente das demais.
- A)Nos filmes gosto mais de beijar mulheres que homens. Elas cheiram melhor.
Errada: "mais" expressa comparação de intensidade em "gosto mais", funcionando como advérbio.
- B)A arte é a mais bela das mentiras.
Errada: "mais" integra a locução de superlativo relativo "a mais bela", com valor comparativo.
- C)Pinta-se com o coração e a cabeça mais do que com as mãos.
Errada: "mais do que" marca comparação, então "mais" atua como advérbio de intensidade/comparação.
- D)O ofício do crítico literário, musical ou teatral é o mais degradante de todos.
Errada: em "o mais degradante", "mais" compõe o superlativo relativo, mantendo valor comparativo.
- E)A economia só resolve um problema antigo gerando dois ou mais problemas novos.
Certa: em "dois ou mais problemas", "mais" indica quantidade aproximada, sem ideia de comparação.
Gabarito: E
A palavra "mais" pode aparecer em classes diferentes, e a banca adora misturar isso com comparação. Às vezes ela funciona como advérbio de intensidade ou de comparação, como em "mais belo", "mais do que" ou "gosto mais". Nesses casos, ela está ligada ao grau e à comparação, quase sempre modificando verbo, adjetivo ou outra expressão. Na frase da alternativa E, porém, "mais" não está comparando nada. Em "dois ou mais problemas", ele tem valor de quantidade aproximada, com sentido de "além de dois". Por isso, não atua como advérbio de comparação, mas como termo indefinido ligado ao numeral, com função de quantificação. É justamente essa mudança de função que a questão quer cobrar. Em provas da FGV, o caminho costuma ser esse: a palavra parece a mesma, mas a classe gramatical muda conforme o contexto. Ou seja, não basta reconhecer a forma; você precisa olhar o papel que ela exerce na frase. Assim, a alternativa E é a correta porque "mais" ali não tem o mesmo valor das demais, que usam a palavra em contexto de comparação ou intensificação.