Todas as frases abaixo tiveram o termo destacado colocado no plural; a opção em que a reescritura obedece aos princípios da norma culta, é:
- A)Aludiu-se a um novo acordo comercial entre os países / Aludiram-se a novos acordos comerciais entre os países;
Errada: em "aludiu-se", o "se" indica indeterminação do sujeito, então o verbo não vai para o plural, e a forma correta seria "aludiu-se a novos acordos".
- B)Destruiu-se o viaduto que ainda havia no local / Destruíram-se os viadutos que ainda haviam no local;
Errada: "havia" é verbo impessoal e permanece no singular; além disso, a reescritura com "haviam" fere a norma culta.
- C)Tem-se pensado na contratação de um novo jogador / Têm-se pensado na contratação de novos jogadores;
Errada: em "tem-se pensado", o verbo auxiliar não deve ser pluralizado, pois o "se" não cria sujeito plural nessa construção.
- D)Necessita-se de informação mais precisa / Necessita-se de informações mais precisas;
Certa: a troca para "informações mais precisas" é gramaticalmente adequada, e o verbo "necessita-se" permanece no singular por se tratar de indeterminação do sujeito.
- E)Persistiu-se em erro indesculpável / Persistiram-se em erros indesculpáveis.
Errada: em "persistiu-se", o verbo não deve ser flexionado no plural, porque o "se" não faz o verbo concordar com o termo que vem depois da preposição.
Gabarito: D
A questão gira em torno de um clássico da sintaxe: o valor do "se". Ele pode funcionar como partícula apassivadora ou como índice de indeterminação do sujeito. Quando há voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente: "Vendem-se casas". Já quando o verbo é transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular: "Necessita-se de pessoas qualificadas", "Aludiu-se a um fato". Na alternativa correta, o trecho foi reescrito com a mudança do substantivo para o plural, mas sem ferir a norma culta. Em "Necessita-se de informações mais precisas", o verbo continua no singular porque "necessitar de" não forma voz passiva sintética; o "se" apenas indetermina o sujeito. O objeto preposicionado também permite a troca de "informação" por "informações", sem problema de concordância. O detalhe que costuma derrubar muita gente é tentar pluralizar o verbo só porque apareceu um termo no plural. Não é assim que a música toca: o verbo só vai ao plural quando houver sujeito paciente expresso em uma passiva sintética. Isso é ponto muito cobrado em concurso, inclusive pela FGV, que adora misturar concordância verbal com o comportamento do "se". Então, aqui a reescritura correta é a da alternativa D: a mudança para "informações mais precisas" está perfeita, e o verbo "necessita-se" deve permanecer no singular. Nada de deixar o verbo animado demais sem motivo.