“Um erro de cálculo pode explicar o desabamento de um edifício. Mas por que não pensar também na rebelião das paredes contra o que se passa entre elas?” Aníbal Machado Sobre o que é expresso nesse pensamento, assinale a afirmativa correta.
- A)O desabamento de um edifício envolve obrigatoriamente um erro de cálculo.
Errada, porque o texto não afirma que todo desabamento depende obrigatoriamente de erro de cálculo, apenas apresenta isso como uma possibilidade.
- B)As paredes de um edifício se rebelam contra a falta de punições daqueles que causam desabamento dos prédios.
Errada, pois o trecho não trata de punições nem de culpa jurídica, e sim de um sentido figurado para o que acontece dentro do prédio.
- C)Os erros frequentes de cálculos na construção de edifícios podem explicar a rebelião das paredes.
Errada, porque a frase não fala de erros frequentes de cálculo como causa da rebelião, mas de uma leitura simbólica das relações internas.
- D)As variadas circunstâncias de relações pessoais dentro de um prédio podem causar a rebelião das paredes.
Certa, porque interpreta a rebelião das paredes como metáfora das circunstâncias e relações pessoais dentro do prédio.
- E)A rebelião das paredes de um edifício se dirige certamente a problemas ocasionados pela má construção do prédio.
Errada, porque atribui à rebelião das paredes um sentido ligado à má construção material, enquanto o texto sugere um plano figurado e relacional.
Gabarito: D
A questão explora interpretação de texto em linguagem figurada. Aníbal Machado não está falando literalmente de paredes com vontade própria, mas usando uma imagem poética para sugerir que, além de um erro técnico de cálculo, também podem existir tensões humanas, conflitos e desgastes nas relações que formam um edifício, seja ele físico ou simbólico. Em provas da FGV, é comum a banca cobrar essa leitura mais ampla, em que o sentido vai além da superfície literal. No trecho, a “rebelião das paredes” é uma metáfora para o ambiente interno do prédio e, por extensão, para o que acontece entre as pessoas que nele convivem. A pergunta do autor abre espaço para uma interpretação mais profunda: não pensar só na engenharia, mas também nas relações pessoais e sociais que podem “desmontar” uma construção por dentro. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela capta justamente essa ideia de que as variadas circunstâncias das relações pessoais dentro de um prédio podem causar a “rebelião das paredes”. Ou seja, o texto sugere um sentido simbólico, não um defeito material isolado. A frase funciona quase como um convite: nem tudo que cai é por problema de cálculo; às vezes, o problema está no clima humano do lugar. Em interpretação, especialmente na FGV, vale desconfiar da leitura excessivamente literal. Quando aparece metáfora, personificação ou ironia, o caminho é perguntar: o autor está dizendo isso mesmo, ou está sugerindo outra coisa por trás das palavras?