Observe a seguinte frase: "Se você vai viajar para a Itália, não esqueça de visitar o Coliseu"; para que essas frase tenha sentido, sua coerência está ligada ao seguinte fator:
- A)conhecimento do vocabulário empregado;
Errada, porque conhecer o vocabulário ajuda, mas não explica sozinho a coerência global da frase.
- B)conhecimento partilhado entre emissor e receptor;
Certa, porque a compreensão da frase depende do conhecimento compartilhado sobre Itália e Coliseu.
- C)inferências possíveis da frase;
Errada, pois as inferências ajudam na interpretação, mas o fator central aqui é o repertório comum entre as pessoas.
- D)intertextualidade com outro texto famoso;
Errada, porque não há citação, retomada ou diálogo com outro texto famoso.
- E)ausência de polissemia ou ambiguidade.
Errada, já que a frase não apresenta problema de polissemia ou ambiguidade; o sentido é claro pelo contexto.
Gabarito: B
Coerência é a qualidade que faz o texto fazer sentido como um todo. Não basta a frase estar gramaticalmente correta: ela precisa se encaixar em um contexto, em uma situação de comunicação e no que emissor e receptor já sabem. É aí que entra o famoso conhecimento partilhado, aquele repertório comum que permite entender a mensagem sem precisar explicar tudo do zero. Na frase da questão, quando se diz para visitar o Coliseu ao viajar para a Itália, o leitor entende a ideia porque já sabe que o Coliseu é um ponto turístico famoso de Roma e que faz parte do roteiro esperado de quem vai à Itália. Esse entendimento não vem só das palavras isoladas, mas do conhecimento prévio compartilhado entre quem escreve e quem lê. Por isso, o gabarito é a letra B. A coerência depende, nesse caso, da bagagem cultural e do repertório comum entre emissor e receptor. Em teoria textual, isso é um exemplo clássico de coerência externa ou contextual, ligada ao conhecimento de mundo. Se você tira esse repertório, a frase até continua correta, mas perde força de sentido. As outras alternativas tentam puxar a questão para vocabulário, ambiguidade ou intertextualidade, mas o ponto central aqui é bem mais simples: entender a mensagem depende de saber do que se está falando. Em prova da FGV, vale desconfiar quando a banca troca sentido global do texto por detalhes isolados.