Um cartaz colocado sobre um gramado de um parque dizia: “É proibido pisar no gramado. Quem não souber ler, pergunte ao guarda. ” Sobre esse texto, assinale a afirmação correta.
- A)Mostra a presença adequada da autoridade no espaço público.
Errada: o cartaz não elogia a autoridade; ele apenas usa o guarda como recurso do aviso, e isso ainda vem com tom irônico.
- B)Demonstra a preocupação com o meio ambiente.
Errada: a preocupação ambiental existe na proibição de pisar no gramado, mas não é o foco da pergunta, que explora o efeito humorístico do enunciado.
- C)Indica um exagero autoritário, já que se trata de um parque.
Errada: a ideia de parque não torna a placa um exagero autoritário por si só; o ponto central é a contradição cômica entre as duas frases.
- D)Há incoerência humorística entre as duas frases.
Certa: há uma incoerência humorística entre a proibição e a orientação final, porque a solução proposta é paradoxal e produz efeito de humor.
- E)Traz implicitamente uma ameaça.
Errada: não há ameaça implícita no texto, apenas uma advertência e uma instrução irônica.
Gabarito: D
A questão explora a interpretação de um enunciado curto com efeito de humor. O cartaz diz: “É proibido pisar no gramado. Quem não souber ler, pergunte ao guarda.” A primeira frase é uma regra comum de parque: preservar a grama. A segunda parece apenas orientar quem não leu, mas ela cria um efeito inesperado porque supõe que a pessoa que não sabe ler consiga resolver o problema perguntando ao guarda. Só que, se ela não sabe ler, como leria o cartaz? Esse descompasso entre a proibição e a orientação gera a graça do texto. Em prova, isso costuma aparecer como incoerência humorística, paradoxo ou contradição irônica. O segredo aqui é perceber que a banca não quer que voce leia o texto de forma literal demais. A graça está justamente no choque entre a função séria da placa e a solução meio absurda que ela oferece. Não há uma ameaça explícita, nem uma defesa ambiental sofisticada, nem uma crítica direta à autoridade. O que existe é um arranjo verbal que produz humor pela incongruência. Por isso o gabarito é a letra D. A frase final não resolve o problema, ela o reforça de modo irônico: em vez de esclarecer, cria uma situação cômica, porque depende de uma habilidade que o próprio cartaz admite que o leitor talvez não tenha. Esse tipo de efeito é muito típico de questões de interpretação que cobram o “não dito” e a lógica interna do texto. Se voce quiser uma regra prática: quando o texto parece sério, mas termina com uma solução estranhamente improvável, desconfie de humor por incoerência. Em português de prova, isso vale ouro.