Assinale a frase em que houve confusão entre “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”, provocando o aparecimento de um erro de norma culta.
- A)A razão porque a preocupação mata mais pessoas do que o trabalho é que as pessoas se preocupam mais do que trabalham.
Errada, pois em “a razão por que” o correto é o uso de “por que” com valor de relativo, equivalente a “pela qual”.
- B)Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado.
Certa, porque “porque” introduz a causa da afirmação feita na frase.
- C)Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe por quê.
Certa, porque “por quê” aparece no final da frase e antes de pontuação, com acento por ser tônico.
- D)Esse é o verdadeiro motivo por que ele não compareceu.
Certa, porque “por que” está em valor de “pelo qual”, ligado ao substantivo “motivo”.
Gabarito: A
A dúvida entre porque, por que, porquê e por quê é clássica em prova, mas a lógica é simples: cada forma tem uso próprio. Em resumo, “porque” costuma explicar causa ou motivo; “por que” aparece em perguntas e também quando equivale a “pelo qual”, “pela qual”; “porquê” é substantivo, normalmente com artigo, significando “motivo”; e “por quê” surge no fim da frase, com acento por ficar tônico. A norma culta é bem estável nisso, e a FGV gosta de cobrar exatamente esse encaixe fino do uso. Na alternativa A, houve erro de norma culta porque a construção pede a forma separada “por que”, já que ela equivale a “pela qual” na expressão “a razão por que...”. Ou seja, o termo retoma “razão” com valor de relativo, não de causa. Dizer “a razão porque” mistura funções e quebra a regência tradicional. As demais alternativas estão corretas: em B, “porque” introduz explicação; em C, “por quê” vem no fim da frase, antes de pontuação; e em D, “por que” retoma “motivo”, funcionando como equivalente de “pelo qual”. Se você quiser um macete simples: pergunte a si mesmo se a ideia é causa, pergunta, substantivo ou fim de frase. Esse teste mental resolve boa parte das questões sem drama gramatical.