O vocábulo “você” é um pronome de tratamento íntimo, usado em relacionamentos de amizade. Em algumas frases, entretanto, ele se refere, indeterminadamente, a todas as pessoas. A frase abaixo em que isso ocorre, é:
- A)Quando você é mais jovem, as pessoas o culpam por crimes que você nunca cometeu, dizia-me meu avô;
Certa: "você" tem sentido genérico, referindo-se a qualquer pessoa, e não a um interlocutor específico.
- B)Num dos programas da TV, um famoso apresentador disse: “TV é tudo de mentira. Se o programa não estiver bom, finja que está. Pule, grite, assim você vai aparecer na telinha e ficar famoso”;
Errada: "você" é usado como apelo direto ao ouvinte/leitor, com valor de tratamento, não de indeterminação.
- C)Um ex-presidente da República ficou irritado quando, numa entrevista, o repórter o tratou por “você”;
Errada: o foco é o uso de "você" como forma de tratamento considerada inadequada pelo personagem, não como pronome indeterminado.
- D)Meu pai repreendia constantemente a mãe dele: “Não interrompa quem lhe conta uma história que você já conhece”;
Errada: "você" aparece em fala dirigida a um interlocutor específico, dentro de uma cena concreta, sem generalização.
- E)Você, que é presidente atual do Senado, deve preocupar-se com as preocupações dos cidadãos.
Errada: "você" retoma diretamente o presidente do Senado, em vocativo/apelo direto, e não uma referência indeterminada.
Gabarito: A
A palavra "você" pode funcionar de dois jeitos bem diferentes: como pronome de tratamento, quando se dirige a alguém de forma direta e próxima, e como recurso de indeterminação, quando não aponta para uma pessoa específica, mas para qualquer pessoa em geral. Nessa segunda hipótese, o sentido fica parecido com "a gente", "as pessoas" ou "quem quer que seja". Em provas, a banca gosta de testar esse deslizamento de sentido, porque a frase parece falar com alguém, mas na verdade está generalizando a experiência humana. Na alternativa A, isso aparece com clareza: "Quando você é mais jovem, as pessoas o culpam por crimes que você nunca cometeu". Aqui, "você" não está sendo usado para conversar com um destinatário real; ele vale para qualquer pessoa, como em uma observação geral sobre a vida. Ou seja, a frase tem valor universal, quase proverbial. As demais alternativas mantêm "você" com valor de tratamento ou de referência direta a um interlocutor identificado, sem essa generalização. Em português, esse uso impessoal/generalizador é bem comum na oralidade e na linguagem de crônica, entrevista e fala cotidiana. Em resumo: quando "você" deixa de apontar para um indivíduo concreto e passa a significar "qualquer um", a indeterminação está em cena.