Assinale a frase em que houve troca indevida entre MAL e MAU.
- A)Ao mesmo tempo direi ao diabo que não tente nos levar para o mal caminho.
Errada, porque o correto é "mau caminho", já que "mau" é adjetivo e se opõe a "bom".
- B)Muita gente me chama de caubói, mas nunca compreendi o que há de mau em ser caubói. Tenho orgulho das minhas esporas.
Certa, pois "mau" está bem empregado como adjetivo em oposição a "bom".
- C)Se a agricultura não for bem, a inflação vai mal.
Certa, porque "vai mal" usa "mal" como advérbio, em oposição a "bem".
- D)Mal o governo instalou-se, começaram as cobranças.
Certa, pois "mal" tem valor de conjunção temporal, equivalente a "assim que".
- E)Não há mal que dure sempre.
Certa, porque "mal" funciona como substantivo, com sentido de infortúnio ou problema.
Gabarito: A
A confusão entre "mal" e "mau" é clássica de prova: os dois soam parecidos, mas vivem em funções diferentes. Em regra, "mau" é adjetivo e faz par com "bom"; já "mal" costuma ser advérbio e faz par com "bem". Então, se você conseguir trocar mentalmente por "bom" ou "bem", a escolha fica bem mais segura. Na frase da alternativa A, a forma correta seria "mau caminho", porque a expressão pede um adjetivo qualificando "caminho". O contrário de "mau" é "bom", e faz sentido dizer "bom caminho". Portanto, "mal caminho" está errado e mostra a troca indevida cobrada pela questão. As demais alternativas estão corretas: em B, "mau" opõe-se a "bom"; em C, "vai mal" está correto porque "mal" descreve o estado da economia, como advérbio; em D, "Mal o governo instalou-se" significa "assim que", com valor temporal; em E, "não há mal" usa "mal" como substantivo, no sentido de infortúnio ou problema. Em termos de norma-padrão, a regra é simples e muito cobrada em gramáticas como as de Celso Cunha e Evanildo Bechara: "mau" = oposto de "bom"; "mal" = oposto de "bem", além do uso de "mal" como conjunção temporal em construções como "mal chegou, começou a chover". Se bater dúvida, faça o teste do antônimo: ele costuma salvar a questão.