Observe a seguinte frase de Machado de Assis: “Não há paciência que baste para ouvir um suplicante derramado. Todo suplicante conciso pode estar certo de despacho próximo, porque fixou bem o que disse, sem cansar com palavras sobejas”. Essa frase alude a um problema redacional, que é o de
- A)expressar-se por meio de palavras cultas ou eruditas, de difícil entendimento.
Errada: a frase não critica vocabulário culto ou erudito, e sim a prolixidade.
- B)empregarem-se termos sem precisão, que necessitam de outras palavras para explicitá-los.
Errada: o problema não é falta de precisão vocabular, mas o excesso de palavras desnecessárias.
- C)apelar para expressões emotivas a fim de convencer o leitor pelo sentimento e não pela razão.
Errada: não se trata de apelo emotivo para convencer, e sim de excesso verbal na composição do texto.
- D)usar palavras e expressões de cunho popular, que prejudicam a mensagem objetiva do texto.
Errada: palavras populares não são o alvo da crítica; Machado aponta o desperdício de linguagem.
- E)utilizar palavras em demasia, sem necessidade comunicativa, cansando inutilmente o leitor.
Certa: o enunciado critica o uso de palavras em demasia, sem necessidade comunicativa, o que cansa o leitor.
Gabarito: E
A frase de Machado de Assis critica um defeito bem conhecido da redação: o excesso de palavras. Quando alguém fala ou escreve demais, sem necessidade, a mensagem perde força, cansa o leitor e atrapalha a clareza. Em texto bom, a ideia aparece de forma direta, com economia e precisão. Perceba que Machado elogia o "suplicante conciso" e reprova o "derramado". Isso mostra que, para ele, a objetividade é virtude. O problema redacional apontado é justamente o uso de palavras em demasia, aquelas que só enchem espaço e não acrescentam conteúdo relevante. Na prática, isso aparece em frases longas demais, repetições inúteis, rodeios e enfeites que não ajudam a comunicação. Em provas de interpretação, a banca costuma cobrar essa diferença entre estilo rebuscado e excesso sem função: nem toda palavra difícil é um problema, mas palavra sobrando quase sempre é. Por isso o gabarito é a letra E. A frase fala de quem "cansa com palavras sobejas", isto é, usa mais palavras do que o necessário para dizer o que poderia ser dito com simplicidade e precisão.