O rei francês Luís XVI, ao falar da administração pública, declarou: “Cada vez que preencho um cargo, faço cem descontentes e um ingrato”. Sobre essa afirmação, assinale a opção correta.
- A)Os “descontentes” se referem aos funcionários já nomeados para outros cargos.
Errada, porque os “descontentes” não são os já nomeados, e sim os que ficaram sem o cargo.
- B)O “ingrato” se refere ao indivíduo que preenche o cargo.
Certa, porque o “ingrato” é a pessoa nomeada, isto é, quem recebeu o cargo e deveria agradecer.
- C)O “ingrato” referido está inserido entre os “descontentes”.
Errada, porque o “ingrato” não é um dos “descontentes”, mas o beneficiado pela nomeação.
- D)“preencher um cargo” se refere ao ato de demitir o funcionário que ocupava anteriormente o cargo.
Errada, porque “preencher um cargo” significa nomear/ocupar a vaga, e não demitir quem estava antes.
- E)O termo “cada vez” se refere a uma ação realizada com intensa frequência.
Errada, porque “cada vez” indica repetição de uma situação, mas não necessariamente uma ação de intensa frequência.
Gabarito: B
A frase de Luís XVI trabalha com uma oposição bem comum em interpretação de texto: quando alguém recebe uma nomeação, quase todo mundo que queria a vaga fica frustrado, e a pessoa escolhida tende a agradecer ao rei ou ao governo. Por isso, a ideia dos “cem descontentes” aponta para os muitos preteridos, isto é, os que ficaram sem o cargo. Já o “ingrato” é a pessoa beneficiada pela nomeação, porque, na visão do rei, mesmo recebendo o cargo, ela pode não demonstrar a gratidão esperada. Aqui, o ponto central é entender a lógica do enunciado, e não ler as palavras isoladamente. Em prova de interpretação, a banca adora testar se você percebe quem é o sujeito beneficiado e quem é o prejudicado na cena. Se você inverter esses papéis, a resposta desanda rapidinho. O gabarito é a letra B porque o “ingrato” é justamente o indivíduo que recebe o cargo. A frase quer dizer que, ao nomear alguém, o rei faz muitos insatisfeitos e ainda corre o risco de esse nomeado não ser grato pela escolha. É uma observação política irônica, bem no estilo de quem conhece os bastidores da administração pública e sabe que cargo gera aplauso para um e tristeza para muitos. Não há fundamento legal específico aqui, porque a questão é de leitura e inferência textual. O que importa é dominar a relação semântica entre nomeação, frustração dos excluídos e gratidão esperada de quem foi favorecido.