“Meu desejo é ver Deus. E, como dizia Freud, se eu morrer e chegar à presença de Deus, eu terei muito mais coisas a perguntar para ele do que ele para mim”. (Leonardo Boff) Na frase acima, são formas de infinitivo:
- A)ver / perguntar.
Correta: apenas “ver” e “perguntar” são infinitivos na frase.
- B)ver / morrer / chegar / perguntar.
Errada: inclui “morrer” e “chegar”, que no contexto estão em valor de futuro do subjuntivo.
- C)ver / chegar / perguntar.
Errada: omite “morrer”, que também não entra como infinitivo no recorte cobrado pela banca.
- D)morrer / perguntar.
Errada: “morrer” e “perguntar” não formam o conjunto total de infinitivos da frase.
- E)ver /morrer.
Errada: “morrer” aparece com grafia de infinitivo, mas aqui tem função de futuro do subjuntivo.
Gabarito: A
O infinitivo é a forma nominal do verbo que, em geral, aparece com valor mais “solto”, como em “ver” e “perguntar”. Ele pode funcionar quase como um nome, sem marcar pessoa, número ou tempo de modo tão direto quanto as formas conjugadas. É aquele verbo que você encontra no dicionário e pensa: “aqui tem cara de verbo em estado puro”. Mas atenção: nem toda forma igual ao infinitivo é, de fato, infinitivo na frase. Em português, algumas formas coincidem na escrita com o futuro do subjuntivo. É o caso de “morrer” e “chegar” em “se eu morrer e chegar à presença de Deus”. Aqui, pelo valor sintático após “se”, essas formas estão no futuro do subjuntivo, e não como infinitivo. Por isso, na frase, os infinitivos são apenas “ver” e “perguntar”. O verbo “ver” aparece na estrutura “Meu desejo é ver Deus”, com nítido valor infinitivo. Já “perguntar” também está no infinitivo, ligado a “coisas a perguntar”, isto é, “coisas que perguntar”. Resumo de prova: forma igual não significa função igual. A banca FGV costuma cobrar justamente essa leitura fina entre forma verbal e valor no contexto. Então, mesmo que “morrer” e “chegar” pareçam infinitivos à primeira vista, no enunciado eles não entram nessa conta.