Nas frases a seguir há termos que mostram a participação do enunciador no que é expresso. A única frase em que essa intromissão não existe, é:
- A)É inaceitável que navios petroleiros gigantescos continuem a sujar de óleo nossas praias, derramando toneladas de petróleo. Na maioria desses casos não há punição dos culpados.
Errada, porque traz julgamento explícito em “é inaceitável”, mostrando forte intromissão do enunciador.
- B)Não há dúvida de que, em nossos dias, a poluição dos mares constitui um grande problema, talvez dos maiores que tenhamos que enfrentar.
Errada, porque “não há dúvida” e “grande problema, talvez dos maiores” revelam certeza e avaliação subjetiva.
- C)O oceano, que cobre a maior parte da superfície terrestre, será brevemente uma imensa lata de lixo, o que me parece algo a temer.
Errada, porque “me parece algo a temer” expõe claramente a opinião pessoal do enunciador.
- D)O que há de mais escandaloso nessas histórias é que as companhias que fretam os navios que causam problemas de poluição marinha, quase nunca são incomodadas pela justiça.
Errada, porque “o que há de mais escandaloso” é um juízo de valor direto e bastante subjetivo.
- E)Novas regulamentações sobre esses problemas de poluição entram em vigor a cada ano, sobretudo naqueles países em que o mar faz parte da paisagem.
Certa, porque a frase é basicamente descritiva e não traz marca explícita de opinião, emoção ou julgamento do enunciador.
Gabarito: E
A questão cobra um ponto clássico de interpretação: identificar quando o enunciador “entra” na frase com avaliação, opinião, julgamento ou emoção. Isso aparece por meio de palavras como “inaceitável”, “não há dúvida”, “me parece”, “escandaloso”, entre outras. Quando isso ocorre, a frase deixa de ser só informação e passa a carregar a marca pessoal de quem fala. Em provas da FGV, vale ficar de olho em expressões que revelam certeza, julgamento moral, surpresa, indignação ou preferência. Elas funcionam como pistas de subjetividade. Em outras palavras: o texto pode até falar de um fato, mas, se vier temperado com opinião, a intromissão do enunciador está lá, tomando conta da cena. Na alternativa E, a frase é apenas informativa: diz que novas regulamentações entram em vigor a cada ano, sobretudo em certos países. Não há adjetivo avaliativo forte, nem juízo explícito, nem comentário emocional do falante. É uma construção mais neutra, descritiva, sem “palpite” do enunciador. Por isso, E é o gabarito. As demais alternativas trazem marcas claras de subjetividade e, portanto, mostram a participação do enunciador no que é dito. É aquele tipo de questão em que basta perguntar: “há opinião embutida aqui ou só informação?” Se houver opinião, caiu na armadilha.