A palavra “coisa” é empregada frequentemente em lugar de outros vocábulos mais específicos. Assinale a opção que indica a frase em que a substituição do termo sublinhado está adequada.
- A)“É uma coisa terrível para um intelectual quando ele encara uma ideia como uma realidade.” / decisão.
Errada, porque "coisa terrível" não pode ser substituída por "decisão" sem mudar o sentido da frase.
- B)“A única coisa eficaz contra ideias são ideias melhores.” / arma.
Certa, porque "coisa" pode ser substituída por "arma" em sentido figurado, mantendo a coerência da frase.
- C)“Teoria é bom, mas não impede as coisas de acontecerem.” / as ideias.
Errada, porque "as coisas" não equivale a "as ideias" nesse contexto, já que a frase fala genericamente de acontecimentos.
- D)“Nós podemos tentar deixar de fazer coisas, mas isso traz consequências.” / responsabilidades.
Errada, porque "coisas" não pode ser trocado por "responsabilidades" sem alteração de sentido.
- E)“Nem toda coisa que fazemos de repente dá errado.” / obra.
Errada, porque "coisa" aqui tem valor genérico, e "obra" é termo específico que não reproduz o mesmo sentido.
Gabarito: B
A questão trabalha com emprego de palavra genérica no lugar de um termo mais específico. Em português, "coisa" costuma funcionar como coringa: pode substituir ideia, objeto, fato, ato, assunto, entre outros, mas a troca só é válida se o sentido da frase continuar preciso. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como teste de semântica fina: não basta parecer próximo, a substituição tem de ficar realmente adequada ao contexto. Na frase da letra B, "a única coisa eficaz contra ideias são ideias melhores", o termo sublinhado é "coisa" e pode ser substituído por "arma" sem estragar o sentido: "a única arma eficaz contra ideias são ideias melhores". Aqui, "arma" é usado em sentido figurado, de meio ou recurso de combate, e encaixa perfeitamente na oposição entre ideias e o que as enfrenta. As outras alternativas falham porque trocam "coisa" por palavras que não mantêm o mesmo valor semântico no contexto. Em alguns casos, a substituição fica específica demais, em outros, muda o tipo de referente: ação, responsabilidade, decisão, obra... tudo isso até pode lembrar "coisa" de longe, mas não conversa direito com a frase original. Então, o segredo é simples: leia a frase inteira e veja se o substituto preserva o sentido global. Se a nova palavra não puder entrar sem deixar a frase esquisita, a troca não é adequada. Na letra B, a adaptação fica natural e coerente, por isso ela é o gabarito.