“O gerente da empresa comentou que, com a futura chegada dos bombeiros, o incêndio seria controlado e a produção poderia ser entregue dentro do prazo.” A argumentação do gerente mostra um problema, que é:
- A)a fuga do assunto, já que o foco deveria ser o incêndio;
Errada, porque não há fuga do assunto: o gerente continua tratando do incêndio e do impacto na produção.
- B)uma generalização excessiva já que nem todos os incêndios conseguem ser apagados a tempo;
Errada, porque não existe generalização sobre todos os incêndios; a fala trata de uma situação específica.
- C)um argumento autoritário, já que ele sozinho decide o que fazer com a produção;
Errada, porque o problema não é autoritarismo nem imposição de vontade, mas a forma lógica da argumentação.
- D)a apresentação de uma possibilidade como certeza;
Certa, porque o gerente trata uma possibilidade futura como se fosse um resultado garantido.
- E)o estabelecimento de uma relação equivocada entre causa e efeito.
Errada, porque não há troca equivocada de causa e efeito; há, isso sim, excesso de certeza em relação a um fato incerto.
Gabarito: D
A questão cobra um ponto clássico de interpretação: a diferença entre o que é possível e o que é certo. Em textos argumentativos, o cuidado com o modo como a informação é apresentada faz toda a diferença, porque uma hipótese não pode ser vendida como fato consumado. Isso é muito comum em provas da FGV, que gosta de testar se voce percebe a “força” da afirmação, isto é, se ela fala em possibilidade, probabilidade ou certeza. No enunciado, o gerente diz que, com a futura chegada dos bombeiros, o incêndio seria controlado e a produção poderia ser entregue no prazo. Repare no problema: ele usa um cenário futuro e incerto como se o desfecho estivesse praticamente garantido. A fala não apresenta uma conclusão já assegurada, mas uma expectativa. Quando alguém transforma uma previsão em certeza, comete um salto argumentativo. Por isso, o gabarito é a letra D: há a apresentação de uma possibilidade como certeza. Em outras palavras, o gerente tenta dar aparência de segurança a algo que ainda depende de vários fatores. É um raciocínio frágil, porque a chegada dos bombeiros pode ajudar, mas não autoriza afirmar, de imediato, que o incêndio será controlado e que a produção sairá no prazo. Esse tipo de problema é bem conhecido na análise do discurso e na lógica informal: confundir hipótese com conclusão. Em prova, voce deve ficar atento a verbos modais e expressões de incerteza, como “poderia”, “talvez”, “é possível”, porque elas indicam que a afirmação não é absoluta. A banca adora essa troca de marcha: o texto começa cauteloso e termina com pose de certeza.