“Aquele candidato estava mexendo no celular; vou tomar a prova dele!” Essa é uma afirmação de um fiscal de prova, que é formulada, passando de uma premissa diretamente a uma conclusão, assumindo como verdadeira uma ideia intermediária. Assinale a opção que indica corretamente a ideia intermediária omitida.
- A)Há um grande engarrafamento na nossa frente; vamos desviar pela estrada de terra à direita – Vai demorar bastante para liberarem o trânsito.
Certa: a decisão de desviar só faz sentido se houver a ideia intermediária de que o trânsito vai demorar a ser liberado.
- B)Segui a orientação do médico durante todo esse tempo; fiquei curado em menos de uma semana – Os remédios utilizados eram importados de ótimos laboratórios.
Errada: a cura rápida não se explica, necessariamente, pelo fato de os remédios serem importados, então a ponte argumentativa não se encaixa.
- C)Soou a sirene que marca o final do concurso; vamos recolher as provas – Temos ainda muito trabalho a fazer.
Errada: a sirene indica o fim do concurso e a recolha das provas, sem exigir a ideia intermediária proposta.
- D)O candidato estudou bastante nos últimos meses; os resultados dele foram ótimos – Os estudos do candidato foram orientados por outros candidatos experientes.
Errada: o bom resultado pode decorrer de vários fatores, e a frase intermediária não é a suposição que liga as duas partes.
- E)A pesquisa mostrou que este emprego é dos mais procurados; vou inscrever-me para concorrer a uma vaga – A pesquisa foi encomendada pela direção da empresa.
Errada: o interesse no emprego leva à inscrição, mas a frase intermediária apresentada não é a ponte lógica necessária.
Gabarito: A
A questão trabalha com raciocínio argumentativo, especialmente a etapa que fica escondida entre a premissa e a conclusão. Em provas de Português, isso aparece quando alguém fala algo como se a conclusão fosse automática, mas na verdade existe uma ideia intermediária, aceita como verdadeira, que faz a ponte entre as duas partes. No enunciado, o fiscal viu o candidato mexendo no celular e concluiu que deve tomar a prova dele. Para essa passagem fazer sentido, é preciso a premissa intermediária de que mexer no celular durante a prova indica comportamento irregular, por exemplo cola, comunicação externa ou quebra das regras do concurso. Sem essa ponte, a conclusão fica no ar, como quem pula um degrau e acha que chegou lá. A alternativa A é a correta porque a frase sobre o engarrafamento leva naturalmente à decisão de desviar pela estrada de terra se houver a ideia intermediária de que o trânsito vai demorar a ser liberado. Ou seja: há um fato observado, depois vem a conclusão prática, e no meio está a crença de que a espera será longa. É exatamente esse tipo de encadeamento que a banca cobra. Esse tipo de questão tem relação com a lógica informal e com os chamados argumentos implícitos, muito usados em interpretação de texto. A FGV adora verificar se você percebe a ponte invisível entre o que foi dito e o que foi concluído.