Leia o fragmento de uma redação, citado em um manual escolar. O Brasil precisa urgentemente políticos patriotas que sacrifiquem pelo país e que prefiram o bem do povo do que o próprio bem, pois assim iremos longe à beça. As afirmativas a seguir apresentam observações corretoras desse fragmento, à exceção de uma que está mal elaborada. Assinale-a.
- A)O verbo precisar é transitivo indireto, daí que deva ser acompanhado de preposição, nesse caso, da preposição de.
Certa: no sentido de necessitar, o verbo precisar exige a preposição de.
- B)O verbo sacrificar, nesse caso, deve ser precedido do pronome se.
Certa: na construção adequada, o verbo sacrificar pede o pronome se, formando "sacrifiquem-se".
- C)O verbo preferir deve ser seguido da preposição a e não de do que.
Certa: o verbo preferir rege a preposição a, e não a expressão comparativa "do que".
- D)A expressão à beça, por ser popular, deve ser retirada do texto, por ser expletiva.
Errada: "à beça" é uma expressão coloquial com sentido próprio, não uma expressão expletiva que deva ser apagada obrigatoriamente.
Gabarito: D
Aqui a banca mistura regência verbal, emprego de pronome e valor de expressões coloquiais. O verbo "precisar", no sentido de necessitar, pede complemento com preposição: você precisa de algo. Por isso, "o Brasil precisa de políticos" é a forma correta. Já "sacrificar", nessa construção, pede a ideia reflexiva: "sacrifiquem-se pelo país". E "preferir" não gosta de comparação com "do que": a forma tradicional é "preferir X a Y". O ponto mais interessante está na alternativa D. "À beça" é uma expressão coloquial que significa "muito", "em grande quantidade", e não é expletiva, isto é, não está sobrando sem função. Ela pode soar informal, mas isso não obriga sua retirada em todo contexto; o problema seria de adequação de estilo, não de gramática. Portanto, dizer que deve ser retirada por ser expletiva está errado. Em concursos, especialmente na FGV, a banca adora cobrar a diferença entre correção gramatical e adequação vocabular. Uma expressão popular pode ser evitada em texto formal, mas isso não a transforma em erro linguístico. Aqui, o único item mal elaborado é justamente o que confunde coloquialismo com impropriedade obrigatória. Resumo de prova: "precisar de", "sacrificar-se", "preferir A a B". E cuidado com expressões como "à beça": elas podem ser informais, mas continuam tendo sentido e função no texto.