Leia a frase a seguir. "Sem desastres nem guerras, com as doenças reduzidas, sem conventos, prolongada a velhice até a idade bíblica, onde irá parar o mundo?" Machado de Assis Nessa frase, o autor alerta contra
- A)o pouco desenvolvimento científico, que encurta a vida humana.
Errada, porque o texto não critica o pouco desenvolvimento científico; ao contrário, parte de avanços como a redução das doenças.
- B)vida retirada dos conventos, que afasta as pessoas da convivência social.
Errada, porque os conventos aparecem apenas como elemento da hipótese, sem relação com afastamento social como ideia central.
- C)a longevidade humana que, se aumentada, pode trazer problemas para a vida na Terra.
Certa, porque a frase questiona os efeitos de uma longevidade excessiva e sugere que isso pode trazer problemas ao mundo.
- D)a continuidade das guerras, que continuam ceifando vidas humanas bastante jovens.
Errada, porque a frase menciona a ausência de guerras, não a sua continuidade.
- E)o perigo da velhice, que acumula enfermidades sem possibilidades de cura.
Errada, porque o foco não está no perigo da velhice em si, mas nas consequências de prolongá-la até demais.
Gabarito: C
A frase de Machado de Assis tem tom de ironia e reflexão crítica: ele imagina um mundo sem guerras, sem doenças graves e com a velhice muito prolongada, para então perguntar, em tom provocador, o que aconteceria com a humanidade. A ideia central não é celebrar esse cenário de forma ingênua, mas mostrar que até uma conquista desejável pode trazer consequências inesperadas quando levada ao limite. No texto, o autor alerta para o risco de uma vida humana muito alongada, isto é, para a longevidade excessiva. Em vez de pensar só no lado bonito de viver mais, Machado sugere que a permanência prolongada da velhice pode gerar desequilíbrios sociais, existenciais e até práticos. É um raciocínio típico de crítica machadiana: ele parece elogiar o progresso, mas logo deixa uma pulga atrás da orelha. Por isso, a alternativa C está correta. A frase aponta justamente para a possibilidade de que o aumento da longevidade humana, ainda que pareça positivo, possa criar problemas para a vida na Terra. Não há, aqui, defesa de guerra, condenação dos conventos ou elogio da doença; o foco é a pergunta inquieta sobre os efeitos de estender demais a vida. Em interpretação de texto, vale sempre observar o tom do autor. Machado costuma usar ironia e ambiguidade para fazer o leitor pensar além do sentido literal. Aqui, a chave é perceber que a aparente utopia vira uma provocação: viver mais pode ser ótimo, mas viver muito mais sem refletir sobre as consequências também pode virar um problema.