Observe o relato de uma testemunha de um processo de auditoria fiscal, num diálogo com um fiscal: “Aí o empresário tentou misturar o documento falsificado com outros negócios que estavam numa gaveta, mas ele deu azar e o documento caiu e como eu tava lá, pude apanhar o papel no chão, que é esse que tá aí.” Tendo esse texto como referência, assinale a opção que marca uma característica da língua culta e não da língua popular.
- A)O emprego de vocábulos de conteúdo geral, como, por exemplo, o vocábulo “negócios”.
Errada, porque "negócios" não é o traço distintivo pedido; o item fala de vocábulos gerais, mas isso não caracteriza, por si só, a língua culta em oposição à popular.
- B)O emprego de conectores em lugar de outros de significados mais específicos, como, por exemplo, “Aí”, na frase inicial.
Errada, porque "Aí" é um conector muito típico da oralidade e da linguagem popular, não um traço próprio da língua culta.
- C)A presença de repetições de palavras em busca de precisão, como, por exemplo, a repetição de “documento”.
Errada, porque a repetição de "documento" não é o que o texto faz para mostrar refinamento linguístico; ao contrário, a questão valoriza a substituição lexical.
- D)A utilização de um hiperônimo para evitar-se a repetição de palavras idênticas, como, por exemplo, “papel”.
Certa, porque "papel" funciona como termo mais geral para retomar "documento", evitando repetição e criando coesão, um recurso típico da língua culta.
- E)A utilização de expressões da linguagem popular, como, por exemplo, “deu azar”.
Errada, porque "deu azar" é expressão coloquial e popular, bem distante da linguagem culta pedida no enunciado.
Gabarito: D
A questão pede que você reconheça um traço da língua culta em contraste com a linguagem popular do relato. Na fala transcrita, aparecem marcas típicas da oralidade, como "aí", "tava", "deu azar" e construções mais soltas, que soam naturais na conversa, mas não são o padrão mais formal da escrita culta. Na língua culta, um cuidado importante é evitar repetições desnecessárias, substituindo termos por palavras mais gerais ou específicas conforme o contexto. Isso ajuda a dar coesão ao texto sem ficar repetindo o mesmo substantivo o tempo todo. Aqui, depois de "documento falsificado", o texto usa "papel" para retomar a mesma referência, sem repetir exatamente a mesma palavra. Esse recurso é chamado de substituição lexical por hiperônimo ou termo mais abrangente, muito comum em textos bem escritos. Em vez de repetir "documento", o falante usa "papel", que amplia a referência e mantém a fluidez. É justamente esse tipo de escolha que aproxima o enunciado da língua culta. Por isso, o gabarito é a alternativa D. As demais opções apontam para marcas de generalidade, conectores vagos, repetição ou linguagem popular, mas não identificam tão bem essa estratégia de evitar repetição por meio de um termo mais amplo.