Observe o seguinte texto: “É preciso começar por dizer-nos a nós mesmos para nos convencermos de que não temos nada a fazer neste mundo a não ser procurar sensações e sentimentos agradáveis. Os moralistas que dizem aos homens: reprimam suas paixões e controlem seus desejos, se querem ser felizes, não conhecem o caminho da felicidade.” Sobre o conteúdo ou estruturação desse fragmento textual, assinale a afirmativa correta.
- A)Exemplifica um texto explicativo cuja finalidade é explicar onde se encontram os erros dos moralistas.
Errada, porque o fragmento não explica erros de forma neutra; ele argumenta contra os moralistas e defende uma posição.
- B)Mostra um texto de tipo injuntivo, pois aconselha o homem a procurar a felicidade dentro de si mesmo.
Errada, porque o texto não dá uma ordem nem um conselho prático direto, mas sustenta uma tese com tom argumentativo.
- C)Trata-se de um texto argumentativo cuja tese é a de que a felicidade é fruto da procura do que nos agrada.
Certa, porque o trecho apresenta uma tese sobre a felicidade e procura convencer o leitor de que ela depende da busca do que nos agrada.
- D)Indica duas teses argumentativas, de caráter oposto, sem que haja a indicação da preferência por uma delas.
Errada, porque não há apenas duas teses opostas em igualdade: o texto deixa clara a preferência do autor por uma delas.
- E)Traz informações de caráter filosófico sobre a felicidade humana, mostrando-a como algo inatingível.
Errada, porque o fragmento não trata a felicidade como algo inatingível; ao contrário, aponta um caminho para alcançá-la.
Gabarito: C
O fragmento tem cara de texto argumentativo: ele apresenta uma ideia central e tenta convencer o leitor por meio de uma posição defendida no próprio enunciado. Repare no movimento do trecho: primeiro, afirma-se que o objetivo humano seria buscar sensações e sentimentos agradáveis; depois, critica-se a visão dos moralistas que mandam reprimir paixões e desejos. Isso não é mera exposição neutra de informações, nem conselho prático simples. É defesa de uma tese com ataque a um ponto de vista oposto. A tese do trecho é justamente a de que a felicidade está ligada à busca do que nos agrada, e não à repressão dos desejos. O texto usa linguagem valorativa, com oposição clara entre duas visões: a do autor e a dos moralistas. Quando o autor afirma que os moralistas “não conhecem o caminho da felicidade”, ele está reforçando seu argumento e tentando invalidar a posição contrária. Por isso, o gabarito é a letra C. A FGV costuma cobrar muito essa diferença entre tipos textuais: se há defesa de uma ideia e tentativa de persuadir, você está diante de argumentação. Se houvesse só ordem, conselho direto ou instrução, poderíamos pensar em texto injuntivo. Aqui, porém, há tese, confronto de ideias e intenção persuasiva, o combo clássico da argumentação.