Houve um requerimento, esta semana, da Associação de Policiais, para que fossem aumentados seus salários, argumentando, entre outros pontos, que isso ajudaria a combater a corrupção entre eles. Nesse requerimento, o argumento apresentado mostra o seguinte problema:
- A)A fundamentação da argumentação na autoridade da própria polícia.
Errada, porque o enunciado não apoia a tese na autoridade da polícia, e sim em uma suposta relação entre salário e corrupção.
- B)Uma analogia mal estabelecida entre a atividade policial e outras atividades menos honestas.
Errada, porque não há comparação com outras atividades menos honestas; o problema é lógico, não de analogia mal construída.
- C)A falta de credibilidade da polícia, cujo pensamento se volta unicamente para o benefício próprio.
Errada, porque a questão não discute falta de credibilidade da polícia nem egoísmo institucional, mas a consistência do argumento.
- D)A ilogicidade argumentativa, pois isso equivaleria a dizer que só os mais pobres se corrompem.
Certa, porque o raciocínio sugere indevidamente que a corrupção seria explicada basicamente pela baixa remuneração, como se isso bastasse para evitar o problema.
- E)Uma generalização excessiva, já que nem todos os policiais são corruptos.
Errada, porque o defeito apontado não é generalizar sobre todos os policiais, e sim fazer uma relação causal fraca e ilógica.
Gabarito: D
A questão cobra um defeito clássico de argumentação: a conclusão não decorre da premissa, ou seja, o raciocínio é ilógico. Dizer que aumentar salários ajudaria a combater a corrupção parece intuitivo, mas o argumento, do jeito que foi formulado, implica uma ideia bem problemática: como se a corrupção fosse consequência direta de baixa remuneração e, portanto, bastasse melhorar o salário para resolver o problema. Isso é uma generalização apressada e um salto indevido de causa e efeito. Em linguagem simples: o fato de alguém ganhar mais não impede, por si só, que continue praticando atos desonestos. A relação entre salário e corrupção pode até ser discutida em políticas públicas, mas não pode ser tratada como uma equivalência automática. O raciocínio da questão faz uma espécie de atalho mental e transforma uma hipótese em regra geral, o que derruba a força lógica do argumento. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ela percebe que a tese sugeriria algo como "só quem ganha pouco se corrompe", o que é uma inferência injustificada. Nem toda explicação causal funciona por simples aumento de remuneração, e a argumentação fica frágil exatamente por simplificar demais um problema complexo. Em prova de interpretação, a FGV adora testar se você enxerga o defeito lógico da frase, e não apenas o conteúdo moral dela. Aqui, a discussão não é se policiais merecem salário melhor, mas se o argumento apresentado realmente prova que isso reduziria a corrupção. E não prova.